‘Cabeças pretas’ do PSDB, que inclui Pedro Cunha Lima, querem que sigla deixe governo

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A bancada do PSDB na Câmara está dividida sobre a permanência do partido no governo Michel Temer, destaca o jornal Correio Braziliense nesta quinta-feira (25). O grupo conhecido como “cabeças pretas”, formado por jovens parlamentares do baixo clero, pressiona fortemente a cúpula da sigla a entregar imediatamente os cargos tucanos na administração. Quem integra essa ala é o deputado federal, Pedro Cunha Lima (PSDB), filho do 1° vice-presidente do Senado Cássio Cunha Lima (PSDB).

O movimento “rebelde” ganhou uma adesão de peso: o deputado Carlos Sampaio (SP), vice-presidente jurídico do partido. “Penso que ser responsável com o país, hoje, é pensarmos imediatamente, de forma equilibrada e serena, numa transição que respeite o regramento constitucional. O presidente Michel Temer perdeu as condições mínimas de governabilidade”, disse o parlamentar.

Para Pedro já se faz necessário a renúncia do presidente Michel Temer. “Não há como Temer continuar no governo dessa forma, tem sido colocado o nome da ministra Carmem Lúcia, que pode ser uma alternativa para que a gente consiga dar um norte para esse grave problema. É o Brasil que está sendo despedaçado e não dá para a gente ficar em rinha política eternamente”, disse Pedro.

Diante do avanço do grupo, o senador Tasso Jeiressati (CE), presidente interino do PSDB, foi chamado ontem para acalmar os ânimos na reunião da bancada, que conta com 48 deputados. Por ora, a decisão é aguardar os próximos acontecimentos, mas o dirigente ouviu vários discursos exaltados. O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), também tenta conter o movimento. A ideia é ganhar tempo para articular uma saída política unificada da base e escolher um nome para disputar a eleição indireta em conjunto com o PMDB e o presidente Michel Temer.

A defesa de Temer pelos tucanos, porém, já não é mais tão enfática. “Se o presidente Temer por acaso tiver de sair, será por meio da Constituição. Não nos afastaremos um milímetro dela. Vamos seguir o livrinho”, afirmou Tasso, referindo-se à possibilidade de eleição indireta no Congresso para escolher o sucessor de Temer.

Ala jovem – Em outra frente, jovens lideranças do PSDB que ganharam força nas eleições municipais do ano passado também pressionam pelo rompimento do PSDB com a gestão Temer. “Não faz mais sentido continuar apoiando o governo Temer.”, disse à reportagem o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Orlando Morando.

Ele gravou em vídeo sua posição e distribuiu em um grupo de WhatsApp do PSDB. A iniciativa repercutiu na reunião da bancada. Outro nome “cabeça preta” que pede abertamente a renúncia de Temer é o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan. “Há um desejo da base do PSDB, de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e alguns federais de sair da base do governo”, disse o tucano.