SAÚDE

‘Dietas das celebridades’: especialistas listam as 5 piores

Perder peso é uma das principais metas das resoluções de ano novo. Mas os especialistas da Associação Dietética Britânica alertam: as famosas dietas das celebridades, além de não serem tão eficazes, podem fazer mal à saúde.

Entre essas dietas estão a crudívora, composta por alimentos crus de origem vegetal, a alcalina, na qual alimentos de baixa acidez são evitados, dietas compostas apenas por suplementos em pó, como shakes e sopas, e as dietas mediterrânea e cetogênica. “Se uma dieta parece ser boa demais para ser verdade, então ela provavelmente é”, apontou Sian Porter, nutricionista da associação, em entrevista à rede britânica BBC.

 

Crudívora

As atrizes americanas Gwyneth Paltrow e Megan Fox são as principais seguidoras do crudivorismo, dieta à base de alimentos veganos, de origem vegetal, crus. Para entrarem na categoria, os alimentos consumidos não podem ser industrializados, refinados ou processados, nem mesmo preparados acima de 48ºC. O ‘cozimento’ deve ser feito com limão, por exemplo.

Os seguidores argumentam que o calor destroi as enzimas do alimento, dessa forma o organismo precisa de mais energia para processá-lo. Nesse processo, muitos nutrientes, que poderiam ser aproveitados, seriam desperdiçados.

Segundo Sian, para ser saudável de fato, uma dieta vegana precisa ser planejada cuidadosamente, garantindo a suplementação  de nutrientes importantes, como as vitaminas D e B12, presentes em alimentos de origem animal. Além disso, o cozimento pode ser essencial para realçar nutrientes em alguns alimentos, como a cenoura e a batata, que não pode ser ingerida crua.

Alcalina

A dieta alcalina tem como base a teoria de que o pH natural do organismo e o nível de acidez do sangue podem ser alterados de acordo com a alimentação. Dessa forma, alimentos ácidos poderiam contribuir para o desenvolvimento de doenças como artrite, osteoporose, doenças nos rins, no fígado e câncer.

A técnica, que consiste em reduzir alimentos ácidos priorizando o consumo de frutas e vegetais, é seguida por Tom Brady, jogador de futebol americano e marido da modelo Gisele Bündchen.

No entanto, essa teoria ainda não tem comprovação científica, segundo os especialistas. De acordo com a ONG britânica Cancer Research UK, embora comer frutas reduza a acidez da alimentação, elas não têm nenhum impacto no pH sanguíneo.

“Se essa dieta ajuda a emagrecer, é porque você está cortando calorias ao consumir mais frutas e vegetais, não porque está reduzindo alimentos ácidos da alimentação”, disse Sian. Para a especialista, cortar todo um grupo alimentar da alimentação, como a dieta sugere, pode oferecer risco à saúde.

Shakes

As dietas que consistem em substituir as refeições por suplementos, como sopas e shakes, mesmo contendo nutrientes na composição, não são sustentáveis. A apresentadora britânica Katie Price lançou uma linha de vitaminas que, segundo a propaganda, diminuem a vontade de comer, e devem substituir o café da manhã e outras refeições diárias.

Mas, de acordo com a associação, o uso desses suplementos não oferece benefício a longo prazo, propiciando o famoso ‘efeito sanfona‘. “O problema desse tipo de dieta é que as pessoas precisam ser, aos poucos, reintroduzidas a alimentos sólidos. Caso contrário, o efeito não será duradouro”, explicou Sian.

 

Além disso, supressores de apetite não são uma forma saudável e aconselhável de perder peso. “Esses produtos de substituição de refeições podem ser úteis para pessoas que têm muito peso a perder, mas sempre devem ser usadas sob supervisão de um profissional de saúde”, disse Sarah Coe, especialista da Fundação Britânica de Nutrição.

Mediterrânea

Os autores da famosa dieta mediterrânea, os médicos Aseem Malhotra e Donal O’Neill, recomendam o baixo consumo de carboidratos e uma dieta rica em gorduras provenientes de peixes, azeites, frutas e vegetais, além de praticar exercícios regularmente e consumir bebidas alcoólicas com moderação.

O objetivo disso é promover a perda de peso e reduzir os riscos do diabetes tipo 2. Eles sugerem praticar o jejum intermitente e reduzir consideravelmente o consumo de carnes vermelhas, carboidratos não-complexos e doces.

Segundo a Associação Dietética Britânica e a Fundação Britânica de Nutrição, a tradicional dieta mediterrânea inclui massas e arroz em todas as refeições, o que não vai de encontro com o que sugere a dupla. Ainda segundo eles, o alto consumo de gorduras saturadas não é baseado em evidências concretas.

Mas para Malhotra, que é cardiologista e conselheiro do Fórum Nacional de Obesidade, do Reino Unido, a dieta mediterrânea consiste em um conjunto de práticas alimentares das populações mais saudáveis do mundo, que derrubaram diversos mitos prevalentes na indústria alimentícia e do emagrecimento.

Cetogênica

A dieta cetogênica, seguida por celebridades como a socialite Kim Kardashian, o jogador de basquete Kobe Bryant e o ator americano Alec Baldwin, tem como premissa o baixo consumo de carboidratos (low-carb), priorizando proteínas e gorduras saudáveis.

O objetivo da dieta é atingir a ‘cetose’, estágio em que o fígado converte gorduras em corpos cetônicos, utilizados pelo organismo para produzir energia na ausência da glicose. No entanto, segundo Sian, quando você escolhe não comer carboidratos, você acaba deixando de comer outros alimentos importantes que os acompanham. Além disso, o consumo de fibras, presentes nos carboidratos complexos (integrais), é importante para a saúde do intestino.

“Ao cortar o macarrão da dieta, você está cortando também o molho. Ao cortar os pães, você está cortando a manteiga. Ao cortar biscoitos, você também está cortando o açúcar. O mais sinistro é as pessoas dizerem que essa dieta pode curar câncer e outras doenças, o que é absolutamente impossível.”

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