Domínio do ‘novo cangaço’ vai de bancos a carros-fortes

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Dois ataques a agências bancárias e uma explosão a um carro-forte com menos de oito horas de diferença entre o primeiro crime e o último. Esse é o saldo registrado nessa quarta-feira (29) com relação a ataques de quadrilha a alvos bancários na Paraíba. Este ano, o estado contabiliza 63 explosões, arrombamentos e assaltos contra agências. Os crimes, praticados por grupos tidos como o ‘novo cangaço’ também miram carros-fortes, que sofreram, pelo menos, sete ataques desde janeiro.

Os crimes praticados pelas quadrilhas do ‘novo cangaço’ são classificados, pela própria polícia, como “abordagens marcadas por muita violência, que envolvem a exposição de armas de fogo e explosivos, espalhando pânico pelas cidades”.

As ações mais recentes dessas quadrilhas aconteceram entre a madrugada e a manhã desta quarta. A primeira foi no município do Conde, na Grande João Pessoa, onde uma quadrilha aramada com explosivos e armas de fogo explodiu uma agência bancária do Bradesco.

No local, o grupo conseguiu levar uma quantia em dinheiro não informada pelo banco e fugiu. Além da destruição na agência, as explosões também danificaram casas vizinhas ao local do crime, deixando buracos e rachaduras nas paredes.

A agência havia sido reaberta há pouco tempo por ter sido alvo dos bandidos em outras ocasiões.

Também nessa madrugada, uma agência bancária que fica no município de Duas Estradas, no Brejo paraibano, a 115 quilômetros de João Pessoa, foi explodida por um grupo de bandidos armados. Nem a localização da agência, que fica ao lado do grupamento de Polícia Militar evitou o crime.

Segundo a polícia, os bandidos conseguiram arrombar as grades do prédio e um caixa eletrônico, fugindo em seguida.

Porém, o novo alvo das quadrilhas do ‘novo cangaço’ são os carros-fortes, como o que ocorreu na manhã dessa quarta, no município de Paulista, Sertão paraibano, a 410 quilômetros de João Pessoa, onde um grupo fortemente armado perseguiu e interceptou um carro-forte e o explodiu.

Segundo a Polícia Militar em São Bento, responsável pelo policiamento em Paulista, a quadrilha não conseguiu levar o dinheiro do carro-forte porque todas as noras foram queimadas durante a explosão.

O município de Paulista já esta sem agência bancária por ter sido alvo dos bandidos no dia 1º de dezembro de 2016.

Carros-fortes são ‘os novos alvos’

Além dos ataques ao carro-forte em Paulista, a Paraíba contabiliza pelo menos outros sete ataques do ‘novo cangaço’ a carros-fortes.

27 de setembro – policiais militares da Paraíba e de Pernambuco entraram em confronto com uma quadrilha que tentou assaltar um carro-forte que trafegava no município pernambucano de Brejinho.

Durante a troca de tiros, dois policiais ficaram feridos e os bandidos conseguiram fugir em dois carros.

12 de julho – três homens armados tentaram assaltar um carro-forte que estava em um supermercado. Na ação, um cliente foi feito refém, os vigilantes reagiram e houve troca de tiros.

Ainda durante a ação, um vigilante foi baleado, mas não se feriu por estar de colete a prova de balas. Um bandido também ficou ferido, mas, junto com os comparsas, conseguiu fugir.

5 de maiopoliciais da Paraíba e de Pernambuco prenderam seis pessoas suspeitas de participação no ‘Novo Cangaço’ em crimes de assaltos a bancos e a carros-fortes no Nordeste.

17 de fevereiro – uma quadrilha fortemente armada atacou três carros-fortes que seguiam na BR-230, entre João Pessoa e Campina Grande. Durante a ação, dois carros-fortes foram explodidos, houve troca de tiros entre o grupo criminoso e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os bandidos conseguiram levar boa parte do dinheiro que era transportado.

31 de janeiro – a Polícia Militar conseguiu prender uma quadrilha que vinha planejando assaltar um carro-forte que iria abastecer caixas eletrônicos que ficam dentro da 1ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Campina Grande.

O grupo foi abordado no estacionamento do local e os policiais apreenderam duas pistolas, um revólver, uma espingarda e dois rádios comunicadores

23 de janeiro – um vigilante de 32 anos foi morto a tiros, e outras quatro pessoas ficaram feridas, entre elas um outro vigilante, durante um assalto a um carro-forte no Hiper Bompreço da BR-230, que fica na estrada de Cabedelo, na Grande João Pessoa.

Autoridades comentam

Ao Portal Correio, o delegado Leonardo Souto Maior, que estava de plantão na Delegacia do Conde informou que, como era o delegado plantonista do momento, fez o Boletim de Ocorrência do crime e enviou o caso para a delegacia, que irá reencaminhar a investigação ao delegado competente, que ainda não havia sido definido.

O Portal Correio tentou contato com o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, para que ele comentasse os casos e informasse quais ações o Estado vem promovendo para combater as ações do ‘novo-cançago’, mas as ligações não atendidas até a publicação desta matéria.

Já o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Estado da Paraíba (Sindvig-PB), Williams dos Santos Silva, afirmou que a categoria vem sofrendo com os constantes ataques a agências bancárias e ameaças dos bandidos.

“Se o Estado reforçar a segurança em cidades que possuem agências bancárias vai inibir a ação dessas quadrilhas, melhorar a situação da nossa categoria e garantir mais segurança para a população”, disse Williams dos Santos.

Em resposta ao Portal Correio, o Bradesco, alvo recente da ação das quadrilhas do ‘novo cançago’, afirmou que “O Bradesco segue um plano de segurança aprovado pela Polícia Federal. O banco sempre atua rapidamente para reparar os danos e garantir que os clientes possam contar com os serviços bancários”.