GERAL

“Gratidão” é o sentimento que circulou pelo Brasil em 2017

Quem usa qualquer rede social da internet passou o ano inteiro se deparando com uma determinada palavra.

Que gosto tem o emprego que a Gabriela Reis Alves passou o ano procurando até que uma amiga achou para ela?

“É você não conseguir explicar o quanto você está satisfeito por alguma coisa, por alguém que pode ter feito muito por você”, explica a vendedora de sorvete.

Que sentimento invade o Marco toda vez que ele percebe o filho se esforçando pra ajudar?

“Ele podia estar brincando, porque ele está de férias, mas ele quer ajudar o pai”, comenta.

Pro Hélcio, a vida bem que podia estar melhor. Ele queria estar estudando. Mas aí, inesperadamente, aquela mesma emoção o pegou em cheio. “Estou muito feliz. Quero agradecer o chefe que me deu R$ 20”, comemora.

E a gorjeta foi só um jeito que o Eduardo achou para agradecer. “A saúde que eu tenho, a minha filha, principalmente”, diz.

O gesto de juntar as palmas das mãos diz alguma coisa para você? Bem, ele é universal, mas esse ano ganhou um significado forte em português: gratidão. Eu tenho quase certeza que você ouviu ou leu essa palavra, talvez tenha até compartilhado. Nos perfis dos brasileiros nas redes sociais, esse sentimento só perdeu para o amor. A hashtag gratidão veio como legenda de cenas do dia a dia. Gratidão pelos filhos, pelos amigos, pelo dia, pela noite, pelo sol, pela chuva. Mas também falou de grandes histórias.

Conversamos com um historiador. Ele acha que esse é um fenômeno do nosso tempo.

“Não pega bem no mundo atual o sentimento negativo. Então você deve manifestar a sua vida maravilhosa. Você deve manifestar suas férias extraordinárias e a sua família perfeita. Tudo isso faz parte hoje de um esforço de mídia pessoal. E tem relação com a noção de gratidão”, aponta Leandro Karnal, historiador da Unicamp.

De onde está posicionado, o Renato, que entrega panfletos, não vê a onda de gratidão passar. “Passa direto. Desvia. Tipo, eu passo aqui, passa por lá para não pegar. Parece que está invisível”, diz. 

O Antonio tem uma gratidão guardada. Ele é sozinho. Enfartou em casa, foi socorrido, mas não tinha dinheiro para o tratamento. Quem pagou foram cem ex-alunos. Trinta anos separam o mais novo do mais velho. Chamamos alguns de volta à sala de aula, eles achavam que iriamos falar sobre as diferenças de gerações. Mas não.

O professor de matemática precisava agradecer. “Na hora que eu penso, eu engasgo. Não sai aquilo que eu realmente quero falar. Trava tudo. Eu não consigo”, diz.

Pedimos para o professor entrar assim que ouvisse o nome dele. Não levou mais do que cinco minutos.

“Eu realmente precisava agradecer vocês de alguma forma e eu não tinha como, porque eu não tenho contato com vocês. O sentimento é grande”, agradece.

Os alunos também tinham algo a dizer.

Aluna: É o mínimo que eu faria por quem me ajudou na minha formação, não profissional, mas pessoal.
Repórter: Você não consegue encontrar uma palavra para esse sentimento?
Aluna: Gratidão. Eu sou grata a ele.

E eles então descobriram o tema da reportagem. E a gente, que gratidão é sentimento que não se sente sozinho.

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