Outdoors dão “boas vindas” a Lula em Curitiba

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“Seja bem-vindo!”, anuncia um outdoor a poucos metros do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba (PR). A recepção seria comum não fosse por um detalhe no cartaz –uma ilustração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro de uma cela, acompanhado dos dizeres “A ‘República de Curitiba’ te espera de grades abertas #somostodoslavajato”.

Lula depõe ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (13), às 14h, em ação na qual é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro devido a supostas relações ilícitas com a empreiteira Odebrecht.

O outdoor próximo ao aeroporto não é o único. Segundo a advogada Paula Bettega, líder do grupo pró-Lava Jato “Lava Togas”, há outros 32 espalhados pela cidade. A ação foi coordenada por outras duas frentes de apoio à operação: o Vem pra Rua, que ganhou exposição na esteira do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e o Brasil Estou Aqui, organização regional.

Questionada sobre o financiamento para a montagem dos cartazes, Bettega diz que foi realizada uma “vaquinha”, divulgada pelo WhatsApp, que contou com doações de profissionais liberais, ativistas, aposentados e estudantes. A advogada, entretanto, afirmou que não tem autorização para passar à reportagem o custo da ação.

Não fossem os outdoors, a iminente chegada do ex-presidente à “República de Curitiba” passaria despercebida aos olhares desatentos.

Lula viajou de carro para Curitiba e se hospedou na casa de um amigo.

OPOSIÇÃO

A oposição a Lula marcou presença silenciosa – e irregular – apenas em uma praça em frente à sede da Justiça Federal, no bairro do Ahú. Foi ali o lugar escolhido em março de 2016 pelo grupo “Acampamento Lava Jato” para montar uma ocupação, que permanece até hoje.

Nesta terça, entretanto, a ocupação estava proibida por determinação da prefeitura. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social de Curitiba informou que decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, atendendo pedido da Procuradoria-Geral do Município, vedou que os movimentos montassem estruturas em espaços públicos sem autorização prévia.

A reportagem foi ao local por volta das 16h. Encontravam-se por lá uma barraca verde e amarela e um varal com camisas do grupo e alguns “pixulekos”, como ficaram conhecidos os bonecos do ex-presidente. Três mulheres estavam sentadas dentro da instalação, mas se recusaram a falar com a Folha.

Por enquanto, o único sinal do ex-presidente Lula é na forma de “pixuleko”. Ele ainda não chegou à cidade, que permanece calma