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NORDESTE

Área de seca mais intensa aumenta na Paraíba e estiagem avança no NE

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De acordo com o mapa de setembro do Monitor de Secas do Nordeste do Brasil, os cenários de seca extrema e seca excepcional cresceram no Nordeste, abrangendo parte de todos os nove estados que compõem a região.

Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), responsável pela criação e análise do Monitor de Secas, o quadro se agravou de forma significativa no Nordeste em relação ao mesmo período do ano passado.

Em setembro de 2015, a Paraíba possuía áreas de seca extrema, grave, moderada e fraca, com pequenas áreas de seca excepcional. O mapa de setembro deste ano já mostra grande parte do território do estado com seca excepcional, que é a mais intensa, com perda de cultura/pastagem e escassez de água nos reservatórios, córregos e poços de água, criando situações de emergência.

A tendência, de acordo com especialistas é de o quadro se agrave até dezembro tanto devido à ausência de chuva como pela elevada radiação solar, que provoca a evaporação da água dos reservatórios. Dos 126 açudes monitorados pelo Governo da Paraíba, 58 estão com menos de 5% da capacidade de estoque. Outros 33 estão com volume abaixo dos 20% e apenas 36 reservatórios estão com mais de 20%.

O presidente da Aesa, João Fernandes da Silva, informou nesta semana, durante audiência com o ministro de Estado da Integração Nacional, que esta é a maior seca do estado nos últimos 50 anos. Ainda segundo João Fernandes, dos 223 municípios paraibanos, 196 estão em colapso por falta d´água.

Observando no mapa da região, podemos verificar que na Paraíba, em relação ao mesmo período do ano passado, mudanças significativas ocorreram na parte centro-oeste, onde os indicadores mostram um aumento da área com seca excepcional. Cabe observar que, nessa mesma região, onde os indicadores mostram um aumento da área com seca excepcional, a anomalia de temperatura máxima de juho a setembro foi superior a 6ºC em algumas áreas. Nas demais áreas da Paraíba, houve um aumento da área de seca moderada, grave e extrema em direção ao leste do estado.

Veja os mapas com os dados de setembro de 2016 e do mesmo período de 2015.

Thatiane Sonally

PB Agora

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NORDESTE

Nordeste encomenda 25 milhões de doses da Sputnik russa e quer comprar vacina do Butantan

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Nove estados do Nordeste, liderados pela Bahia, acertaram os termos de compra de 25 milhões de doses da vacina russa Sputnik. Falta assinar o contrato com o Fundo Soberano Russo, que desenvolveu e distribui o produto.

Essas doses seriam importadas da Rússia. Em tese, chegariam a partir de abril e seriam todas entregues até julho (um laboratório brasileiro, União Química, também vai produzir o imunizante, o que será objeto de outro contrato com os governadores).
Problema: a vacina ainda não foi aprovada pela Anvisa.

Segundo o governador Wellington Dias (PI-PT), as doses da Sputnik serão entregues para o Programa Nacional de Imunização (Dias coordena a seção de vacinação do Fórum de governadores).

Alguns governadores de fora do Nordeste, porém, pensam em usar as doses em seus próprios estados caso o governo federal não consiga cumprir seus prazos de vacinação. É o que a reportagem ouviu de três governos das regiões Sul e Centro-Oeste. O Ceará estuda como proceder.

Dias conta também que, na terça-feira (2), a União Química prometeu aos governadores tomar providências para obter aprovação da Sputnik na Anvisa. Até segunda-feira, o laboratório apresentaria aos governadores o cronograma de produção e entrega do produto.

Segundo Dias, os governadores também pediram uma “proposta firme de entrega” de vacinas produzidas pelo Instituto Butantan, da chinesa Sinovac. 

A intenção é comprar do instituto paulista mais 30 milhões de doses. Outras vacinas em vista estão “em espera”: não é possível negociar enquanto o governo federal não chega a um acordo com Pfizer, Janssen e Moderna.

Nesta semana, o Congresso aprovou a lei que também autoriza estados, Distrito Federal e municípios a “assumir os riscos referentes à responsabilidade civil” pelos efeitos adversos das vacinas” e a compra dos produtos, sob certas condições.

A responsabilidade pelos riscos pós-vacinação vem sendo um empecilho na compra de vacinas como a produzida pela Pfizer. Na prática, trata-se mesmo de uma autorização para a compra de vacinas por outros governos que não o federal — e também por empresas.

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NORDESTE

Pesquisa aponta maior risco de mortalidade e de infecção por Covid-19 no Norte e no Nordeste

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Um estudo realizado por quatro pesquisadores da Unicamp focou em analisar os padrões espaciais de infecção e mortalidade por Covid-19 em pequenas áreas do Brasil. O estudo teve como autor principal o professor, Everton Emanuel Campos de Lima.

Utilizando dados até julho de 2020 e que acompanham a tendência constatada atualmente, percebeu-se que os riscos de maior mortalidade se concentram nas regiões Norte e no litoral do Nordeste, além de maior risco de infecções entre os mais jovens. No Sudeste, também se encontram áreas de maior risco de mortalidade, embora em menor grau. Os autores, ainda, observaram que mulheres têm maior risco de infecção, no entanto os homens têm mais chance de morrer pela doença.

A pesquisa, que também tem como autores Ezra Gayawan (Universidade Federal de Tecnologia de Akure); Emerson Augusto Baptista (Universidade de Shanghai) e Bernardo Lanza Queiroz (Universidade Federal de Minas Gerais), foi publicada em artigo científico nesta sexta-feira (12) no periódico PLOS ONE. 

Idade, sexo e doenças pré-existentes foram três dos componentes levados em consideração na análise, baseada em modelos estatísticos e que do trata de risco para áreas. A composição etária, explica o professor de Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e pesquisador do Núcleo de Estudos de População da Elza Berquó (Nepo) da Unicamp, Everton Emanuel Campos de Lima, é um ponto primordial na discussão sobre a pandemia, pois o perfil de mortes está ligado à distribuição de população mais envelhecida.

No entanto, até o momento da coleta dos dados, em julho de 2020, percebeu-se que embora Sul e Sudeste tivessem populações mais velhas, a mortalidade por Covid-19 era mais acentuada nas regiões Norte e Nordeste, onde também há um alto registro de histórico de mortalidade por doenças cardiovasculares. “Isso indica que há inúmeras outras questões que vão além da idade, possivelmente critérios socioeconômicos, o que deixa o norte e Nordeste com maior mortalidade”, avalia. 

Já em relação a infecções, chama atenção o fato de serem mais altas no Norte e Nordeste as infecções atreladas a grupos de idades mais jovens. “O perfil de infecção lá está mais atrelado aos mais jovens e em piores condições socioeconômicas. Jovens mais infectados, pior acesso à saúde e questões econômicas fizeram com que esses lugares estourassem como grandes epicentros de mortalidade no Brasil. É o que se chama de combinação perversa”, pontua o professor. Embora o estudo se baseie nos dados de 2020, o professor indica que os resultados já apontavam para uma situação mais grave no Norte, como de fato ocorreu, especialmente no estado do Amazonas.

Para Everton, fica um alerta sobre a falsa informação de que a pandemia mata apenas idosos. Os mais jovens, além de terem responsabilidade na taxa de contágio, também tem comorbidades, o que os torna também suscetíveis. “A despreocupação dos jovens acaba sendo um problema, principalmente quando há motivações de gestores que ainda não estão levando a doença muito à sério”.

Mulheres se infectam mais mas morrem menos

A pesquisa também evidencia que o risco de infecção é mais alto para mulheres. Já a mortalidade é mais alta entre homens. Fatores culturais, sociais e laborais são apontados por Everton como possíveis explicações. “Possivelmente há um fator genético, mas há questões sociais que na literatura as mulheres buscam auxílio médico mais rápido; no caso do mercado de trabalho: as mulheres estão mais ligadas ao mercado informal e esse foi o mercado mais afetado pela pandemia”, avalia.

O que indica o padrão espacial?

Conhecer o padrão espacial da Covid-19 no país, elucida Everton, é importante para apontar caminhos, por exemplo, na gestão da saúde. “Uma das questões está dentro de toda a questão política que vemos atualmente sobre quem deve coordenar as questões de saúde na pandemia, se é o governo federal, estadual ou municipal. Se olharmos o histórico vemos que isso ficou mais para os municípios nas áreas mais desagregadas”, aponta, frisando que como é uma doença infectocontagiosa, as áreas vizinhas também podem ser  afetadas devido a comum mobilidade populacional existente entre municípios, o que pode requerer ações de nível mais amplo.

Brasil como epicentro da doença

O Brasil, até o dia 11 de fevereiro, possui mais de 236 mil mortes por Covid-19, segundo o consórcio de veículos que realiza o levantamento diário da evolução da epidemia no país. Seis estados registram aumento de óbitos pela doença. O país foi o epicentro da pandemia em 2020 e atualmente vive uma segunda onda de Covid-19, com uma média móvel de 1.073 mortes por dia, a maior média desde julho de 2020.

Para o pesquisador, o Brasil foi um dos epicentros da pandemia e enfrenta altos números de casos e mortes por uma série de fatores. Quarentenas frouxas, testagem e rastreamento de contatos insuficientes e o negacionismo, estimulado inclusive por autoridades, são alguns dos problemas ressaltados. “O atual presidente da Câmara deu uma festa com 300 pessoas mesmo após um discurso apontando a necessidade de vacinar todos. Um dos fatos que mais me incomodou foi a ciência sendo colocada em xeque, houve muito misticismo em torno da pandemia e muitos grupos levaram certos discursos equivocados a sério. Essa sucessão de erros faz com que estejamos onde estamos”, observa.

A descoberta de uma nova cepa do novo coronavírus em Manaus traz preocupações adicionais. Para o professor, um dos erros na região Norte foi acreditar que haveria imunização de rebanho, o que tem se mostrado equivocado dado os casos de reinfecção e a mutação do vírus. Por isso, as medidas de bloqueio de transmissão, uso de máscara, higienização de mãos e distanciamento social, seguem sendo recomendações.

Unicamp

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