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SAÚDE

AVC: um inimigo nem tão silencioso

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Um pequeno coágulo. A ruptura de um vaso sanguíneo fino como um fio de cabelo. Perturbações mínimas podem provocar um AVC – uma lesão no cérebro que interrompe o fluxo de sangue e oxigênio, destrói preciosas células cerebrais e pode alterar a vida da pessoa. Os AVCs matam pelo menos 5 milhões de pessoas no mundo a cada ano e deixam incapacitados outros milhões, porém figuram em último lugar na lista das doenças mais temidas. Se agir agora, porém, você pode evitar esse comprometimento.

Causas

Quase 90% dos AVCs são causados por um coágulo ou uma placa protuberante que bloqueia o fluxo sanguíneo para parte do cérebro. Os demais casos decorrem de ruptura de um vaso sanguíneo no cérebro ou próximo dele, com interrupção do suprimento de oxigênio para as células adjacentes.

cerebroSintomas

Os sinais clássicos são dormência, fraqueza ou paralisia repentinas do rosto, do braço ou da perna, geralmente unilateral; súbita dificuldade para falar ou compreender a fala; início abrupto de visão turva, dupla ou diminuída; ocorrência brusca de tonteira, desequilíbrio ou perda da coordenação; dor de cabeça intensa ou atípica; confusão. Sinais que podem ser exclusivos das mulheres: perda da consciência ou vertigem; falta de ar; queda; dor súbita no rosto, no tórax, nos braços ou nas pernas; convulsões; soluços, náuseas e cansaço abruptos; palpitação ou taquicardia repentina.

Leve a sério o ataque isquêmico transitório (AIT)

Antes de um AVC, 30% a 40% das pessoas têm um aviso: um miniacidente vascular cerebral de curta duração – o ataque isquêmico transitório (AIT). Os sintomas incluem perda da força ou súbita dormência no rosto, braço ou perna; confusão ou incapacidade de falar; perda da visão; e/ou cefaleia atípica. Cessam tão rápido quanto começam (geralmente em 24 horas), mas isso não significa que o perigo tenha passado. Se você não tomar providências, o risco de ter um AVC nos dois dias seguintes será de 1 em 20 e, ao longo dos três meses subsequentes, de 1 em 10. Informe ao médico imediatamente o que aconteceu. Ele poderá prescrever medicamentos para evitar a formação de coágulos sanguíneos, diminuir o nível de colesterol e reduzir a pressão arterial.

Principais estratégias de prevenção

Controle a pressão arterial

Se a sua pressão está acima de 120/80, você está correndo um risco de AVC muito maior do que uma pessoa cuja pressão esteja abaixo desses índices. Por quê? O seu sangue fluirá mais rápido através das artérias e veias. Esse ritmo acelerado representa uma tripla ameaça para você ao lesar os vasos sanguíneos encefálicos e as artérias carótidas, situadas no pescoço, que transportam o oxigênio responsável pela vida das células encefálicas. Também pode provocar o surgimento, nessas artérias, de “dilatações” frágeis, que podem se romper. E ainda pode causar o espessamento das artérias a ponto de acarretar sua constrição e fechamento. Não é de admirar, portanto, que a hipertensão arterial seja a principal causa de AVC.

A boa notícia: se a pressão arterial (PA) estiver alta, cada queda de 5 mmHg pode reduzir o risco de AVC em 42% ou mais. A estratégia é eficaz tenha você 45 ou 95 anos. Em um estudo britânico realizado com quase 3.500 pessoas hipertensas acima de 80 anos, as que usaram medicamentos e tiveram a pressão arterial reduzida para 150/80 diminuíram o risco de AVC em 53% em comparação com o risco dos voluntários tratados com placebo. Essa pressão arterial é mais alta do que a meta saudável (120/80) mencionada antes, mas ilustra os benefícios da redução da PA elevada. A meta individual de PA saudável deve ser estabelecida pelo seu médico.

Talvez você nem precise de medicamentos para chegar à pressão arterial ideal. Se a pressão máxima (sistólica) estiver entre 120 e 139, ou se a mínima (diastólica) estiver entre 80 e 89, você tem pré-hipertensão – e uma boa chance de diminuir a pressão arterial, seja por emagrecimento, exercícios ou por meio de uma dieta saudável, com menos sal, rica em frutas, hortaliças e laticínios desnatados.

Reduza o “mau” colesterol

O excesso de LDL, o mau colesterol, na corrente sanguínea inicia um processo que leva ao surgimento de faixas espessas de gordura que formam as placas pegajosas na superfície interna da parede da artéria, inclusive das importantes artérias carótidas que irrigam o cérebro. O estreitamento dessas linhas de suprimento pode ser tamanho que mesmo um coágulo ínfimo atua como se fosse uma tampa no ralo da pia da cozinha.

A redução do nível de LDL com uma dieta pobre em gordura, associada a um medicamento do tipo estatina, diminui o tamanho dessa placa perigosa e protege o cérebro. Um estudo realizado com 2.531 homens cujos níveis de LDL estavam ligeiramente elevados mostrou que aqueles que tomaram medicamentos redutores de colesterol tiveram o risco de AVC diminuído em 31%.

A melhor estratégia para reduzir o nível de LDL é uma alimentação pobre em gordura saturada e rica em frutas, hortaliças, cereais integrais e laticínios desnatados. Evite comer carnes vermelhas e laticínios integrais, como queijo. Perca peso se for necessário. E exercite- se! Se o colesterol continuar alto (o nível ideal de LDL é abaixo de 100 mg/dL; e nas pessoas diabéticas ou com histórico de doença cardíaca é ainda menor, abaixo de 70 mg/dL), converse com seu médico sobre o uso de estatinas. Se você já teve um AVC, esse medicamento pode reduzir em 16% o risco de um segundo episódio.

Pare de fumar

Bastam dez cigarros por dia para aumentar em 90% o risco de AVC – mesmo que os seus níveis de colesterol e de pressão arterial estejam baixos. A nicotina, o monóxido de carbono e um coquetel de outras substâncias químicas liberadas pela queima do tabaco causam o enrijecimento das artérias, aumentam o tamanho das placas nas paredes arteriais e tornam o sangue mais viscoso e propenso à coagulação. Pare de fumar hoje e em apenas cinco anos esse risco será igual ao de uma pessoa que nunca fumou.

Exercite-se regularmente e coma nozes

Essas estratégias podem elevar os níveis de HDL – o “bom colesterol” que remove o LDL da corrente sanguínea. O nível mínimo saudável de HDL nas mulheres é de 50 mg/dL e nos homens, 40 mg/dL. No entanto, um nível mais alto é benéfico para o cérebro. Um estudo mostrou que as pessoas com maiores níveis de HDL tiveram reduzidos em incríveis 80% o risco de um AVC causado por placas de gordura.

Inclua peixe no cardápio

O consumo de atum, grelhado ou assado, ou de outros peixes, uma a quatro vezes por semana, pode reduzir em 27% o risco de AVC, talvez porque as gorduras saudáveis do peixe mantenham os vasos sanguíneos flexíveis e protejam contra a formação de placas. Mas, atenção: um estudo da Escola Médica de Harvard mostrou que o consumo de peixe frito apenas uma vez por semana aumentou em 44% o risco de AVC!

Beba pouco, depois pare

Alguns goles podem diminuir o risco de AVC, mas o excesso de bebida causa seu aumento, segundo os pesquisadores chineses que acompanharam 64 mil homens ao longo de nove anos. Conclusão: o consumo de 1 a 6 drinques por semana reduz em 8% o risco de AVC; mais de 21 drinques por semana aumentam o risco em 22%. E não beba tudo na noite de sexta-feira; os especialistas sugerem no máximo um drinque por dia para mulheres e dois para os homens.

Por Marina Góes

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SAÚDE

Uma maçã por dia pode reduzir risco de Alzheimer, diz ciência

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Compostos naturais encontrados na casca e na polpa das maçãs podem reduzir o risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência.

Foi o que constatou uma pesquisa feita por especialistas do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas (DZNE) em Bonn, Alemanha.

Eles descobriram que altas concentrações de compostos existentes em maçãs, conhecidos como fitonutrientes, estimulam a criação de neurônios – células responsáveis pela nossa memória – em um processo denominado neurogênese.

Dois compostos – quercetina na casca da maçã e ácido diidroxibezóico (DHBA) na polpa da maçã – geraram neurônios no cérebro de camundongos, em testes de laboratório.

“Uma maçã por dia mantém o médico longe – pode haver alguma verdade nessa frase”, dizem eles no artigo, publicado na revista científica Stem Cell Reports.

“Neste estudo, demonstramos que as maçãs contêm compostos pró-neurogênicos, tanto na casca quanto em sua polpa”.

Estudo

O estudo mostrou que células-tronco cultivadas em laboratório, de cérebros de camundongos adultos, geraram mais neurônios e foram protegidas da morte celular quando quercetina ou DHBA foram adicionados às culturas.

Testes subsequentes em ratos mostraram que em estruturas distintas do cérebro adulto associadas ao aprendizado e à memória, as células-tronco se multiplicaram e geraram mais neurônios, quando os ratos receberam altas doses de quercetina ou DHBA.

Os efeitos na neurogênese foram comparáveis ​​aos efeitos observados após o exercício físico, que é um estímulo conhecido para a neurogênese.

Isso sugere que compostos naturais em frutas, não apenas quercetina e DHBA, mas potencialmente outros, podem atuar em sinergia para promover a neurogênese e a função cerebral quando administrados em altas concentrações.

Suco não funciona

Os pesquisadores também examinaram efeitos do suco de maçã concentrado em ratos e constaram que suplementação em 3 semanas não teve efeito sobre a neurogênese.

“Dado que a concentração de quercetina no suco de maçã é muito baixa (abaixo de 2 mg / litro) … concluímos que esta é provavelmente uma concentração insuficiente de fitoquímico ativo para modular a neurogênese”, disse a equipe.

Outros benefícios

Embora se saiba que uma maçã por dia faz bem, duas maçãs por dia podem ser melhores para reduzir o risco de sofrer um ataque cardíaco ou derrame, descobriram os especialistas em 2019.

Quando 40 pessoas com colesterol ligeiramente alto comeram duas maçãs grandes por dia durante oito semanas, isso reduziu seus níveis de colesterol “ruim” em quase quatro por cento.

Duas maçãs por dia podem ajudar também a reduzir o risco de derrame ou ataque cardíaco, que pode ser causado pelo endurecimento das artérias pelo colesterol.

“Parece que o velho ditado de um dia de maçã estava quase certo”, disse a autora do estudo, a professora Julie Lovegrove, da Unidade de Nutrição Humana Hugh Sinclair da Universidade de Reading, na época.

‘Acreditamos que as fibras e os polifenóis nas maçãs são importantes, e a maçã é uma fruta popular entre todas as idades”, lembrou a pesquisadora.

Dois compostos - quercetina na casca da maçã e ácido diidroxibezóico (DHBA) na polpa da maçã - geraram neurônios no cérebro de camundongos em testes de laboratório
Dois compostos – quercetina na casca da maçã e ácido diidroxibezóico (DHBA) na polpa da maçã – geraram neurônios no cérebro de camundongos em testes de laboratório

Com informações do Daily Mail

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SAÚDE

Sintomas da ‘Covid longa’ atingem até 80% dos infectados pela doença

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Náusea, tosse, suor, zumbido no ouvido e problemas de sono afetam a vida de Eduarda Norat, de 22 anos. Três meses depois de ter se curado da Covid-19, Eduarda sofre com alguns dos 55 sintomas mais conhecidos de uma doença que vem sendo chamada de “Síndrome Pós-Covid”, “Covid longa”, “Covid persistente” ou “Covid prolongada”.

“Às vezes, depois de subir uma escada, parece que corri uma maratona”, disse Eduarda Norat, que teve Covid em novembro.

O nome oficial e as classificações destas complicações da Covid-19 devem ser definidos em breve por especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade reúne dados de pesquisas pelo mundo que já apontam, por exemplo, que as mulheres são as que mais relatam as complicações oriundas da infecção pelo Sars-Cov-2.

Um dos artigos mais recentes e abrangentes sobre o tema é de um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Eles fizeram a revisão de 18 mil pesquisas publicadas sobre o assunto até 1° de janeiro de 2021.

Os pesquisadores selecionaram as 15 principais publicações (nove do Reino Unido, três dos Estados Unidos, um da Austrália, um da China, um do Egito e um do México) mais relevantes sobre a Covid prolongada pelo mundo e identificaram 55 sintomas principais.

Entre os 47.910 pacientes que integraram os estudos, os cinco principais sintomas detectados foram: fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e dificuldade para respirar (24%). Cerca de 80% das pessoas que pegaram a doença ainda tinham algum sintoma pelo menos 2 semanas após a cura do coronavírus.

Mesmo que ocorra com mais frequência em pacientes que sobreviveram à versão grave da doença, a Covid prolongada também é comum após as versões leve e moderada, sem precisar de hospitalização.

Além disso, um dos estudos analisados na revisão aponta que a fadiga após o coronavírus é mais comum entre as mulheres, assim como a perda de cabelo; os outros 14 artigos não fizeram análise por gênero.

Mulheres, jovens e sem hospitalização

Ao ver a lista de 55 sintomas apresentada pelo estudo, Eduarda reconheceu mais efeitos em seu corpo. “Tem coisas aí que eu estava sentindo e eu nem sabia que era sintoma”, afirmou. Norat conta que, à época em que desenvolveu a doença, chegou a apresentar outros sintomas, como falta de olfato e paladar, mas não precisou ser internada.

”Os únicos cheiros que eu sentia eram os mais fortes, tipo perfume ou ketchup, mas era um cheiro bem esquisito, parecia vinagre”, contou Eduarda Norat.

Norat é jovem, mulher e desenvolveu a versão leve da doença, um dos perfis investigados para a Covid longa.

Em entrevista ao G1, David Strain, consultor do sistema de saúde britânico (NHS) e pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido, explica que o instituto nacional de estatísticas do país aponta que as mulheres têm maior probabilidade de terem a Covid prolongada – em torno de 74%.

Devido à ação do coronavírus nas células, Strain também explica que a Covid pode atingir os jovens. Ele pondera, no entanto, que ainda não é uma verdade absoluta.

“É importante reconhecer que podemos estar apenas observando um ‘viés de reportagem’. As mulheres são mais propensas a procurar ajuda quando têm um problema, em comparação com os homens. Isso já é bem conhecido”, disse.

Segundo o pesquisador britânico, a maioria dos pacientes (75%) com Covid longa do NHS são mulheres mais jovens (com menos de 50 anos). Os 25% restantes são homens ou mulheres com 51 anos ou mais. Além disso, ele avalia que a gravidade inicial da doença – leve, moderada ou grave – não tem mostrado muita influência nas chances de ter ou não os sintomas após a cura.

Pesquisa no Brasil

Desde março, quando os primeiros casos de coronavírus começaram a chegar no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em São Paulo, os médicos acompanham a resposta e a recuperação dos pacientes.

Lívia Pimenta Bonifácio, fisioterapeuta e pesquisadora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), está perto de acompanhar o desfecho de 200 pacientes com a Covid-19. Os resultados do estudo ainda são preliminares.

Origens da Covid Longa

Bonifácio acredita que a Covid longa pode ser uma “segunda onda” do estrago feito pelo coronavírus no corpo. O Sars CoV-2 utiliza a proteína Spike (S) para se ligar ao receptor ACE2 das células humanas e iniciar a infecção. Nosso sistema respiratório tem tecidos formados com o receptor, e é por ali que o vírus ataca inicialmente.

“Mas existem outros sistemas que têm receptores para o vírus, por exemplo, o coração, o cérebro. Então, o vírus gera primeiro uma inflação gigantesca, e o organismo reage com uma bagunça também gigante, e isso causa a Covid prolongada” – Lívia Pimenta Bonifácio, fisioterapeuta e pesquisadora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

Entre os pacientes acompanhados pela USP de Ribeirão Preto, 64% ainda tinham algum sintoma depois de 6 meses sem o vírus. A fadiga também foi o efeito de longo prazo mais frequente. A pesquisadora ainda não conseguiu avaliar gênero e idade.

Tratamentos

Sem um nome definitivo, esse conjunto de sintomas que continua após a cura do coronavírus é chamado de “Síndrome Pós-Covid”, “Covid longa”, “Covid persistente”, “Covid prolongada”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) faz uma série de encontros neste mês para definir junto a especialistas quais são os efeitos mais frequentes e como tratá-los. Por muito tempo, a expressão “sequelas da Covid” foi utilizada. Agora, os cientistas preferem usar outros termos e delimitar o que é, de fato, uma mudança permanente no corpo das pessoas curadas.

Por enquanto, de acordo com David Strain, não há um tratamento eficiente. Uma das diferenças da fadiga e do cansaço ligados ao coronavírus é que os programas tradicionais de exercícios graduais para a recuperação do fôlego não funcionam.

“O caminho para a Covid longa é ficar constantemente dentro do seu ‘envelope de energia’, entendendo que esse envelope ficará maior com o tempo”, disse Strain.

Os pesquisadores estudam o uso de suplementos vitamínicos para tentar solucionar o problema, mas, por enquanto, nenhuma medida se mostrou eficaz.

G1

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