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MUNDO

Crianças com pais do mesmo sexo podem se tornar realidade dentro de dois anos

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Bebês com dois pais biológicos do mesmo sexo estão próximos de se tornarem realidade. Uma pesquisa realizada na Universidade de Cambridge, Inglaterra, em parceria com o Wiezmann Institute, de Israel, demonstrou ser possível produzir células-tronco humanas a partir de células da pele.

No estudo, publicado na revista científica Cell, os pesquisadores documentaram como conseguiram criar células-tronco a partir de células já diferenciadas de humanos adultos. Desta forma, os cientistas acreditam que dentro de 2 anos a produção de gametas – e de bebês – possa ser feita em laboratório usando-se células diferenciadas. A descoberta abre as portas para que casais homoafetivos ou inférteis possam ter filhos biológicos, algo até então impossível.

Para Azim Surani, Professor da Universidade de Cambridge, que chefiou o estudo, este é o primeiro passo para a produção de gametas em laboratório.

“Nós tivemos sucesso no primeiro e mais importante passo deste processo, que foi demonstrar a possibilidade de criar estas células-tronco tronco humanas em estágio inicial in vitro”, afirmou em uma entrevista ao britânico Sunday Times.

Ele conta que o processo estudado foi capaz de “resetar” as células para um estágio pré-embrionário, sem mutações genéticas. Ou quase.

“Isso significa que a célula foi regenerada e resetada [sic], ou seja, enquanto as outras células do corpo sofreram a ação do tempo e contêm erros genéticos, essas não os possuem. Não podemos dizer que as mutações foram todas revertidas, mas a maioria delas não foram encontradas”, explica. Conforme o estudo detalha, a chave para a “reprogramação” das células humanas está num gene conhecido como SOX17, que havia sido deixado de lado nas pesquisas anteriores.

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A descoberta animou tanto ativistas de movimentos LGBTs quanto casais inférteis, uma vez que o estudo demonstrou a possibilidade desses casais terem filhos num futuro próximo. Outro detalhe que chama a atenção é o próprio currículo do professor Surani, que esteve envolvido nas pesquisas que levaram ao nascimento de Louise Brown, a primeira criança nascida após uma fertilização in vitro, em 1978.

A bagagem intelectual do Professor demonstra seu conhecimento e seu comprometimento com o assunto, o que atesta a confiabilidade dos resultados do estudo.

Além de Surani, outro especialista envolvido na pesquisa é Jacob Hanna, de Israel. Hanna já esteve envolvido em diversas outras pesquisas sobre células embrionárias e diferenciação celular, também com um extenso currículo acadêmico. Ele especula que dentro de 2 anos cientistas poderão trabalhar no desenvolvimento de gametas saudáveis que darão origem a bebês.

As contribuições do estudo também impactam a área de pesquisas voltadas para células-tronco. Com as novas descobertas, as pesquisas com células-tronco humanas devem acelerar e é possível que num futuro próximo elas sejam usadas para reparar tecidos de órgãos doentes.

Para os professores Martin Evans, laureado do Nobel de Medicina de 2007, e Robin Lovell-Badge, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Médica do Reino Unido, as conclusões deste estudo abrem ainda outras portas.

“[O estudo trouxe] uma nova explicação para um [elemento] da biologia humana”, diz Evans.

Já o Professor Robin vê novas possibilidades de estudo sobre o sistema reprodutor humano: “Isto [o estudo] será muito útil no desenvolvimento de espermas e óvulos, não somente como células germinativas, mas como células maduras. Isso será muito importante para entendermos as causas da infertilidade e para tratá-la”, afirma.

Apesar das boas expectativas em torno dos resultados e suas possíveis aplicações, os pesquisadores se mostram preocupados com as implicações éticas do estudo.

“Eu não sou a favor de criar seres humanos ‘em laboratório’ e as implicações sociais e éticas […] devem ser analisadas antes, mas estou muito confiante de que isso acontecerá e será muito relevante para qualquer um que perdeu sua fertilidade por causa de doenças”, afirmou Hanna.

Para David King, diretor da Human Genetics Alert, uma ONG dedicada à pesquisa e divulgação de implicações éticas da engenharia genética, as descobertas podem ter resultados não esperados e socialmente inaceitáveis.

“[Estou] preocupado que cientistas possam ver [a criação de células germinativas] como uma maneira conveniente para criarem bebês geneticamente manipulados.”

Mas para a felicidade de casais impossibilitados de terem filhos biológicos, é possível que resultados mais claros saiam em breve: o estudo completo está disponível gratuitamente no site da Revista Cell. Desta forma, mais pesquisadores da área poderão realizar estudos mais profundos sobre o assunto e, com algum tempo, desenvolverem técnicas para fertilização sem a necessidade da produção biológica de gametas.

Caso as expectativas se tornem realidade, serão necessárias algumas mudanças na legislação de alguns países para que a produção de gametas artificias possa ser feita em larga escala. Na última terça, um processo não menos polêmico, que permite a eliminação de defeitos mitocondriais – e dá origem a bebês com material genético de duas mães e um pai – foi aprovado pela Câmara dos Lordes, na Inglaterra, depois de ter passado, com uma pequena resistência, pela Câmara dos Comuns.

Assim, caso os anseios de Hanna confirmem-se, é provável que dentro de dois anos o Parlamento britânico esteja discutindo a legalidade de procedimentos laboratoriais para o desenvolvimento de gametas – e consequentemente, de bebês – a partir de outras células do corpo.

Spotniks

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MUNDO

Vacina da Pfizer é 90% eficaz contra covid-19 e pode ficar pronta em 2020

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A farmacêutica americana Pfizer divulgou nesta segunda-feira, 9, novos resultados da última fase de testes de sua vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida em parceria com a alemã BioNTech. Segundo a companhia, a vacina experimental se mostrou mais do que 90% eficaz em participantes que não tiveram infecções pela covid-19 depois de uma semana da administração da segunda dose necessária da imunização.

A análise da farmacêutica avaliou que 94 dos 43.538 voluntários que participam dos testes foram infectados pela doença. São necessários 164 casos confirmados para caracterizar a vacina como totalmente funcional.

A expectativa da Pfizer é pedir uma aprovação emergencial ao Food and Drug Administration (o FDA, espécie de Anvisa americana) na terceira semana deste mês.

 

Recentemente foi divulgado, segundo os executivos da companhia, que é possível que a imunização fique disponível até o final de 2020. Para o presidente da companhia, Albert Bourla, a Pfizer poderá fornecer cerca de 40 milhões de doses nos Estados Unidos se os testes clínicos em fase 3 continuarem “conforme o esperado” e se os órgãos reguladores aprovarem o uso emergencial dela.

“Hoje é um bom dia para a ciência e para a humanidade. Os primeiros resultados da nossa fase três de testes da vacina da covid-19 têm evidências iniciais da habilidade da vacina de proteger contra o vírus. Estamos atingindo um marco crítico em nosso programa de desenvolvimento quando o mundo precisa mais de uma imunização, com os números de infecções aumentando, hospitais chegando perto de sua capacidade máxima, e economias tendo dificuldades na reabertura”, afirmou Bourla em um comunicado divulgado pela empresa.

Mais dados sobre a eficácia da vacina devem ser compartilhados em breve. Essa é a primeira análise preliminar de fase três divulgada pela Pfizer.

Como estamos?

Das 47 em fases de testes, apenas 10 estão na fase 3, a última antes de uma possível aprovação. São elas a chinesa da Sinovac Biotech, a também chinesa da Sinopharm, a britânica de Oxford em parceria com a AstraZeneca, a americana da Moderna, da Pfizer e BioNTech, a russa do Instituto Gamaleya, a chinesa CanSino, a americana Janssen Pharmaceutical Companies e a também americana Novavax.

 

Quem terá prioridade para tomar a vacina?

Nenhuma vacina contra a covid-19 foi aprovada ainda, mas os países estão correndo para entender melhor qual será a ordem de prioridade para a população uma vez que a proteção chegar ao mercado. Um grupo de especialistas nos Estados Unidos, por exemplo, divulgou em setembro uma lista de recomendações que podem dar uma luz a como deve acontecer a campanha de vacinação.

Segundo o relatório dos especialistas americanos (ainda em rascunho), na primeira fase deverão ser vacinados profissionais de alto risco na área da saúde, socorristas, depois pessoas de todas as idades com problemas prévios de saúde e condições que as coloquem em alto risco e idosos que morem em locais lotados.

Na segunda fase, a vacinação deve ocorrer em trabalhadores essenciais com alto risco de exposição à doença, professores e demais profissionais da área de educação, pessoas com doenças prévias de risco médio, adultos mais velhos não inclusos na primeira fase, pessoas em situação de rua que passam as noites em abrigos, indivíduos em prisões e profissionais que atuam nas áreas.

A terceira fase deve ter como foco jovens, crianças e trabalhadores essenciais que não foram incluídos nas duas primeiras. É somente na quarta e última fase que toda a população será vacinada.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

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MUNDO

Mais de 400 líderes de todo o mundo pedem que STF anule sentenças contra Lula

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Cerca de 400 lideranças políticas de entidades, associações e universidades de países da América Latina, África e Europa assinam um manifesto pedindo ao STF (Supremo Tribunal Federal) a anulação das sentenças dadas ao ex-presidente Lula.

O documento afirma que a conduta do ex-juiz Sergio Moro e da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público deixam claro a “existência de conluio”, e que o petista teve negado o seu direito a um julgamento imparcial.

Documento que será entregue nesta terça-feira (10), ao ministro Gilmar Mendes pedindo a anulação das sentenças contra o ex-presidente Lula afirma que a conduta do ex-juiz Sergio Moro e da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público deixam claro a “existência de conluio”, e que o líder petista teve negado o seu direito a um julgamento imparcial.;

A iniciativa marca ano desde a soltura de Lula após 580 dias encarcerado na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

Brasil 247

 

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