Depois de derrotas no Congresso, panelaços durante um pronunciamento na TV e até vaias em eventos oficiais da Presidência, Dilma Rousseff resolveu promover alterações em sua articulação política, monitorar as redes sociais para evitar protestos-surpresa e se aproximar de movimentos sociais para antecipar tensões. A tentativa de reação do governo petista ocorre às vésperas de uma grande manifestação, marcada para domingo, que tem entre suas principais bandeiras o pedido de impeachment da presidente.

Ela informou no final da tarde desta quarta-feira, 11, que vai incluir o PMDB, o PCdoB e o PSD na coordenação política do governo. Trata-se do grupo de ministros que se reúne com ela no Palácio do Planalto, todas as semanas, para discutir estratégias e ações do Executivo, o chamado “núcleo duro”, que tem o poder simbólico na Esplanada dos Ministérios de estar mais perto do gabinete presidencial. A composição atual do grupo só inclui petistas. Num primeiro momento, serão incluídos nessa equipe os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rabelo, do PCdoB, dos Transportes, Elizeu Padilha, PMDB, e das Cidades, Gilberto Kassab, do PSD.

A ampliação do grupo é uma tentativa da presidente em reduzir a pressão para demitir o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, um dos principais nomes da atual coordenação política, na avaliação de interlocutores do governo. Setores do próprio PT argumentam que Mercadante não está tendo boa atuação num momento em que o governo enfrenta sua pior crise.

Numa entrevista na periferia de Rio Branco, onde visitou desabrigados das enchentes e entregou chaves de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente enfatizou que não cortará a cabeça de Mercadante. “Não há nenhuma medida de modificação na coordenação política, a não ser o seguinte: vamos aumentar o número de pessoas e partidos, obviamente”, disse. “Vamos fazer um rodízio para trazer ministros novos para o debate.”

MSN