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POLÍTICA

Entenda truques de retórica que políticos suspeitos usam para negar crimes 11

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Com a delação premiada, a cada dia, nos últimos tempos, políticos e empresários têm a difícil e nem sempre bem-sucedida tarefa de se defender.  Um conhecido advogado me confidenciou em uma das aulas de oratória que ministrei a ele: “Polito, nunca vi nada igual na minha vida. Quando você pensa que o cliente já contou tudo o que sabia, aparece um delator com novidades”.

Como os acusados, de maneira geral, são bons de oratória, quase sempre orientados por advogados, são eles próprios que se posicionam nas tribunas, ou vão para frente das câmeras e enfrentam os microfones. Usam a eloquência e demostram indignação na tentativa de refutar as acusações de que foram vítimas, procurando provar sua inocência.

Como veremos esses episódios com frequência cada vez maior, observe quais as táticas mais comuns usadas pelos acusados e tente avaliar, sem prejulgamentos, se estão dizendo ou não a verdade. Não nos esqueçamos ainda de que, por trás das acusações, pode haver também interesses políticos inconfessáveis.

Cabe aqui uma reflexão. Embora todos nós queiramos que bandidos e malfeitores travestidos de representantes do povo fiquem trancafiados atrás das grades, temos de tomar cuidado com as injustiças. Alguns querem aproveitar a onda para enfraquecer adversários e se beneficiar. É bom ter prudência. Em época de caça às bruxas, o risco de excessos pode incluir inocentes no pacote dos condenados.

O susto inicial

Assim que são acusados, a primeira reação é a de se mostrarem surpresos, incrédulos, como se não entendessem os motivos que levaram alguém a contar todas aquelas mentiras. Essa seria a atitude de uma pessoa inocente. Portanto, tendo culpa ou não, a reação será sempre a mesma. Alguns vociferam, outros demonstram tranquilidade, mas o objetivo é o mesmo – passar a imagem de inocente.

Baixada a adrenalina

Superado o primeiro momento, quase sempre, o acusado procura desqualificar quem o acusou. Seja alguém com culpa comprovada, atuando como delator. Seja um adversário político, um órgão de imprensa. Seja uma autoridade responsável pelo caso, um juiz, um delegado, um promotor.

Como o acusador nem sempre é muito conhecido, a intenção do acusado é mostrar que ele não tem reputação, autoridade moral, competência, imparcialidade, ou passado ilibado. Portanto, não tem credibilidade, e suas palavras não devem ser consideradas.

O momento do contra-ataque

Se os fatos forem contundentes, o próximo passo dos acusados é mostrar que são perseguidos por interesses políticos. Afirmam que suas ações contrariam posições adversárias, e por isso seus desafetos se valem de mentiras para atacá-los. Geralmente o nome dos algozes não é citado. Quanto menos identificado for o suposto grupo que o atacou, menores serão as chances de que sejam contestados.

As estratégias legais

Para as táticas objetivas de defesa, algumas linhas são bastante conhecidas. Se as acusações não puderem ser provadas com fatos concretos (lembrando que corruptos quase nunca deixam rastros evidentes de seus crimes) e se basearem em hipóteses, a defesa é feita pela simples negação.

Ora, quando não há como provar, basta negar que o crime tenha existido, ou, pelo menos, cometido por ele. Alguns condenados no caso do mensalão, por exemplo, só foram presos porque os juízes entenderam que houve o “domínio do fato”. Mesmo não encontrando “recibo de culpa assinado”, o crime não poderia ter ocorrido sem o conhecimento e a participação do acusado.

Quando, entretanto, a tese contrária se sustenta em documentos, a defesa é feita com a alegação de que as provas foram extraídas de maneira ilegal, que foram adulteradas, rasuradas, o que coloca por terra sua autenticidade. Recurso usado pelos advogados do dono da Odebrecht, que alegam ter sido um bilhete conseguido pela polícia de forma ilegal.

No caso de um documento ter sido produzido por alguém que não pode confirmar se ele é ou não autêntico, por morte, por exemplo, a defesa pode alegar que o estilo do texto é diverso, ou possui diferenças gritantes do usado normalmente pelo suposto autor.

Sendo a acusação feita por semelhanças, a defesa pode argumentar que há impropriedade nas comparações. Por exemplo, alega que os fatos associados com a situação de outros países não podem ser comparados com uma realidade tão diferente como a nossa. Já que possuímos cultura, história, situação econômica e social muito distinta.

Da mesma maneira, os exemplos históricos também são rejeitados, pelo fato de terem ocorrido em outra época e dentro de uma realidade muito diferente da que vivemos hoje. Ainda com relação aos fatos históricos, havendo alguma dúvida quanto à sua veracidade, a defesa simplesmente os considera falsos ou tendo caráter duvidoso.

Seremos observadores

Essas são algumas estratégias utilizadas pelos acusados na tentativa de se livrarem das penas que lhes seriam impostas. Como é possível avaliar, até que alguns desses criminosos sejam privados da liberdade, assistiremos a muitas marchas, contramarchas, provas, argumentos, refutações, e discursos indignados e eloquentes.

Assim, além das decisões judiciais, como os motivos e os detalhes serão divulgados durante todos os processos, nós também poderemos fazer o nosso próprio julgamento. Que seja feita a justiça.

UOL

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POLÍTICA

Com atraso, FHC diz que sente “certo mal-estar” em não ter votado em Haddad

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Apesar da política de destruição implantada pelo governo de Jair Bolsonaro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não dá o braço a torcer. O tucano, que foi um dos articulares do golpe que retirou Dilma Rousseff (PT) da presidência, não assume que se arrependeu de ter contribuído para eleger o atual presidente. No entanto, diz que sente “um certo mal-estar” por não ter votado em alguém contra Bolsonaro, que era Fernando Haddad (PT).

Em entrevista a Sérgio Roxo e Gustavo Schmitt, da Época, FHC foi questionado se repetirá em 2022 o que fez no segundo turno em 2018, quando anulou o voto, caso a disputa fique entre PT e Bolsonaro. Ele respondeu:

“Foi a única vez na vida que votei nulo. Não acreditava na possibilidade de o outro lado fazer uma coisa, que, no meu modo de entender, fosse positiva. Embora eu reconheça que o outro lado tinha mais sensibilidade social do que o Bolsonaro. Mas tinha medo que houvesse uma crise muito grande financeira e econômica e rachasse ainda mais o país. Só em desespero que se vota nulo”, disse.

“Tinha votado no Geraldo Alckmin no primeiro turno e fiquei sem ter candidato. E achei melhor que uma candidatura do PT, de uma pessoa que eu conheço até, me dou bem com ele, o Fernando Haddad. É uma boa pessoa, mas eu achei que ele era pouco capaz de levar o Brasil, naquela época. Hoje, deve ter melhorado. A pior coisa é você ser obrigado a não ter escolha. Ao não ter escolha, permite o que aconteceu: a eleição do Bolsonaro. Teria sido melhor algum outro? Provavelmente, sim. Pergunta se eu me arrependo? Olhando para o que aconteceu com o Bolsonaro, me dá um certo mal-estar não ter votado em alguém contra ele”, reconheceu com atraso.

No centro

FHC defende um candidato do centro para a disputa em 2022, não necessariamente do seu partido. No entanto, não descarta a possibilidade de votar no PT dessa vez para impedir a reeleição de Bolsonaro.

“Depende de quem do PT seria capaz de levar o país. Espero que não se repita esse dilema. Pouco provável que se repita. O PT perdeu muita presença. O Lula tinha uma imantação, que era do Lula, e não do PT. Não sei quem vai ser o candidato do PT. Mas eu prefiro que seja um candidato saído do PSDB, do centro, não necessariamente do PSDB”, afirmou. 

Fonte: Revista Fórum

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POLÍTICA

Empresários reconhecem fortalecimento de Lula e admitem voto no “demônio”

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A notícia da queda de popularidade de Jair Bolsonaro nas redes sociais só não é pior para ele do que a notícia da subida do nome do ex-presidente Lula nas mesmas plataformas.

O ranking digital da consultoria Quaest varia em uma escala de 0 a 100, sendo 100 a popularidade máxima. Segundo esse ranking, Bolsonaro, que no ano passado oscilou em torno dos 80 pontos, desabou para 62,3. Está agora a apenas 6,4 pontos de distância de Lula —o petista aparece com 55,9.

Esse sobe-desce identificado pela consultoria, envolvendo os nomes do atual presidente e do ex, não é coisa apenas do Twitter e do Facebook.

 

Na segunda-feira passada, um deputado federal em visita a São Paulo ouviu num círculo de empresários um grande banqueiro fazer duras críticas a Bolsonaro. Ao lado dele, o CEO de uma empresa, espantado com a contundência do julgamento, perguntou o que o amigo queria dizer com tudo aquilo. A resposta do banqueiro surpreendeu o CEO e o deputado: “O que eu quero dizer é que, hoje, entre Bolsonaro e o demônio, eu voto no demônio”.

Desnecessário explicar que o “demônio” era Lula.

“O mercado desapegou de Bolsonaro”, concluiu o parlamentar. “É o tipo de movimento que acontece quando uma crise desce da consciência para o bolso”, afirmou. (…)

DCM

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