Connect with us

BRASIL

Igreja terá que indenizar ferida em ‘descarrego’

Publicado

em

A Igreja Universal do Reino de Deus terá de pagar indenização de R$ 8 mil à aposentada Ana Jorge Siqueira, de 74 anos, agredida e jogada ao chão por um pastor durante uma sessão de “descarrego”, em Piracanjuba, no interior de Goiás. Em decisão, dada na quinta-feira, 20, a Quarta Câmara do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás sobre o caso e definiu que a liberdade de culto e de práticas religiosas, prevista na Constituição, não dá direito a agressões ou qualquer tipo de constrangimento sem o consentimento da pessoa.

O incidente que deu causa à ação aconteceu em setembro de 2008, durante um culto na igreja da Universal, na cidade goiana. Na época, o pastor Rones da Conceição Morais alegou que a mulher estava possuída pelo demônio e, ao tentar expulsar o “espírito maligno”, agarrou a mulher pela cabeça e sacudiu com força, causando sua queda. A idosa ficou com ferimentos e hematomas. Ela ainda sente dores na cabeça e zumbido no ouvido.

Ana contou que é católica e foi à Universal porque uma amiga ligada à igreja evangélica insistiu muito.

“Eu nunca tinha ido à Universal, nem pensava em ir, mas eu estava me recuperando de uma internação por osteoporose e acabei indo. Não me passava pela cabeça que ia me arrepender tanto.”

Segundo ela, durante o culto a amiga pediu que levasse ao pastor uma sacola com uma doação.

Ao chegar à frente do pastor, ele a agarrou pela cabeça e sacudiu, gritando “fala” e outras palavras que ela não entendeu. Em seguida, o homem a empurrou violentamente e ela caiu.

“Eu fiquei lá, caída, machucada, e ele continuou o culto como se nada tivesse acontecido.”

Outro pastor a ajudou a se levantar, mas, quando Ana pediu para ser levada ao médico, ele mandou aplicar “uma pedra de gelo”.

Por se considerar “agredida, envergonhada e humilhada”, ela procurou a advogada Marilene Vieira Sampaio, que entrou com pedido de indenização. Em primeira instância, o juiz de Piracanjuba, Eduardo Walmory Sanches, julgou a ação improcedente. Em 2010, o recurso de apelação da advogada foi acatado pelo TJ goiano, condenando a Universal a pagar indenização no valor de R$ 8 mil.

O desembargador Carlos Escher, relator da apelação, considerou que o pastor estava ciente da fragilidade da saúde da autora e deveria conduzir suas práticas religiosas de modo a assegurar a segurança dos participantes. A igreja entrou com recurso especial no STJ, que acompanhou o entendimento do tribunal.

‘Descarrego’. As sessões de “descarrego” são prática comum em cultos da Igreja Universal. Similares a um ritual de exorcismo usado na Igreja Católica, o pastor atua de forma a livrar o fiel da influência de supostos demônios.

No processo, os advogados da Universal alegaram que a prática é amparada pela norma constitucional que garante a liberdade de culto. Sobre as lesões de Ana, a igreja alegou que ela se feriu na queda, após sofrer desmaio decorrente de suas condições de saúde.

A reportagem tentou contato com o pastor Rones, mas a assessoria da Igreja Universal, em Goiânia, informou que ele não se manifestaria. Em nota, o Departamento de Comunicação e Relações Institucionais informou que “a Igreja Universal do Reino de Deus reitera que sequer existe prova da culpabilidade da igreja no processo”.

Tão logo a decisão do STJ seja publicada, os advogados da Universal definirão as novas medidas que devem ser tomadas.

Estadão

Continue lendo
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

BRASIL

Vacina totalmente brasileira contra a Covid-19 entra na 2º fase e pode ficar pronta em um ano

Publicado

em

Com tecnologia semelhante à da vacina de Oxford/AstraZeneca que opera com vetores virais (vírus não patogênicos para os seres humanos) capazes de codificar proteínas do novo coronavírus sem causar a doença, mas estimulando a produção de anticorpos e de células de defesa, o Centro de Tecnologia em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais terminou a primeira etapa da pesquisa de uma vacina contra a covid-19 que será a primeira totalmente brasileira. A segunda fase, que testa o imunizante em humanos, começa em março. 

Dividida em três fases, deve durar entre 12 e 14 meses, para que a vacina possa ser aprovada e ter início a produção em escala industrial. Mas isso depende do fluxo de investimentos.

Segundo a coordenadora do CT-Vacinas, Ana Paula Fernandes, o grande diferencial da vacina da UFMG, em relação àquelas produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, é o fato de os insumos necessários —o chamado IFA (ingrediente farmacêutico ativo)— serem todos produzidos no Brasil.

Os testes clínicos em humanos têm custo de R$ 30 milhões nas duas primeiras fases: preparação dos laboratórios da Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Belo Horizonte, para a escala industrial e avaliação da resposta de um grupo de 40 pessoas ao imunizante.

O desenvolvimento da vacina da UFMG teve início em fevereiro de 2020, quando começou a pandemia no Brasil. Foram gastos R$ 5 milhões, bancados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com participação de 30 profissionais da universidade e apoio de pesquisadores da Fiocruz, da USP (Universidade de São Paulo) e da própria Funed.

Continue lendo

BRASIL

Média móvel de mortes por Covid-19 bate recorde

Publicado

em

O Brasil bateu mais um triste recorde neste sábado (27) diante do recrudescimento da pandemia de Covid-19. Após superar o maior número absoluto diário na quinta-feira (25), o país quebrou a marca na média móvel.

Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, a média dos últimos 7 dias aponta um número de 1.180 mortes a cada 24h, a pior marca desde o início da pandemia.

Nas últimas 24h, foram 1.275 novas vítimas fatais. No total, 254.263 pessoas perderam a vida em razão da pandemia no país.

São 10.508.634 infectados, 50.840 confirmações neste último dia.

O consórcio é formado por G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL. A revelação do recorde acontece na mesma semana que parte destes veículos divulgou uma fake news através de campanha publicitária em suas edições impressas. Eles foram cobrados pelo movimento Sleeping Giants Brasil.

Fonte: Revista Fórum

Continue lendo

Facebook

Publicidade

Copyright © 2020 Barra Portal - Todos os direitos reservados