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BRASIL

Odebrecht recebia dinheiro de ‘caixa 2 de cerveja’ e repassava a políticos, diz delator

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É a história do casamento entre uma cervejaria que sonegava impostos, segundo os delatores. E uma empreiteira que precisava de dinheiro não declarado para corromper políticos.

Os delatores contaram que essa união produziu US$ 100 milhões para pagar propina e caixa dois em campanhas eleitorais.

O cupido nessa relação foi o gerente de um banco em Antígua, no Caribe. Foi assim que Walter Faria, dono da cervejaria Petrópolis, que fabrica a Itaipava, encontrou Benedicto Junior, ex-executivo da Odebrecht.

O delator Olívio Rodrigues foi testemunha de como tudo começou.

– Então o senhor vai apresentar o senhor Walter Farias, nós vamos levar o senhor Benedicto Júnior, foi onde conheci o senhor Benedicto, pra que os senhores tenham um relacionamento mais corporativo, empresa, empresa, e transforme isso num negócio que pode durar a vida inteira, enfim.

Em uma fábrica da Itaipava, água, malte e fermento eram transformados em milhões de litros de cerveja.

Depois de pronta, a bebida seguia por tubulações até um medidor, que calculava quantos litros de cerveja eram produzidos.

Esse medidor era usado também como referência para calcular o valor dos impostos.

O delator contou que a cervejaria fez um desvio no duto para escapar do medidor.

– Eu soube, eles comentaram que era um desvio de quantidade. No medidor, é. Porque o imposto lá é gerado em função da quantidade de cerveja que passa em determinado medidor. Então eles criaram parece que um bypass

Assim eram produzidos dois tipos de cerveja, de acordo com os delatores: a legal, recolhendo impostos, e a de caixa dois, sem pagar tributos.

A venda de cerveja pelo caixa dois produzia montanhas de dinheiro em espécie, que eram entregues numa transportadora de valores.

Lá dentro, os ex-executivos da Odebrecht disseram que o doleiro Álvaro Novis era responsável por receber o dinheiro de cerveja não declarada e pagar os políticos indicados pela empreiteira.

Sempre que a Odebrecht pegava dinheiro da Itaipava no Brasil, a empreiteira depositava os valores correspondentes em uma conta da cervejaria num banco de Antígua, no Caribe.

Numa reunião, as partes selaram a união acertando a taxa de câmbio.

– Chegamos à conclusão de como seria feito e eu trouxe a discussão da taxa de conversão. Muita discussão para lá, muita discussão para cá, e para cortar o bolo, como nós chamamos, para decidir isso, nos reunimos e nos encontramos com o senhor Walter Farias que estava viajando para um lado, eu voltando para São Paulo, o Júnior indo para Salvador, e nos encontramos no aeroporto Santos Dumont, e negociamos uma taxa de conversão.

Para legalizar a transação era firmado um contrato fictício de cessão, por meio da empresa offshore Kleinfeld Services, controlada pela Odebrecht.

A contabilidade do esquema foi registrada numa planilha chamada “cevada”.

A planilha entregue à Justiça mostra que, em 2007, o esquema movimentou US$ 25,5 milhões. E, em 2008, ano eleitoral, o valor foi três vezes maior: US$ 73 milhões.

Os delatores contam que dessa união também surgiu a história conhecida como o “escândalo dos aloprados”.

Em 2006, integrantes do PT foram presos pela polícia quando tentavam comprar um dossiê falso que seria usado na campanha ao governo de São Paulo contra o candidato tucano, José Serra.

O então presidente Lula chegou a chamar os integrantes do partido de aloprados.

Os executivos estavam apreensivos porque papeletas que embalavam os maços de notas poderiam identificar de onde tinha vindo o dinheiro. E conversaram sobre o assunto numa reunião com José de Fellipi, que foi deputado e tesoureiro da campanha de Lula à presidência naquele ano.

– Tivemos uma reunião com José de Filippi. E como nós tínhamos essa operação que já tinha começado, de troca de reais por dólares, eles estavam com medo, que descobriram que uma parte desse dinheiro tava com timbre. E aí mostrava que isso era da cervejaria Itaipava.

O delator Luiz Eduardo Soares diz que a Receita Federal acabou com esse casamento em 2008 quando descobriu a fraude da cerveja.

– Parou em 2008, porque primeiro que começou a ter problema no banco, no Antiqua Overseas Bank, o problema do bankrupt, e eles não tinham mais condição de ter reais livres. Me parece que a Receita Federal começou a fazer o controle das vendas de cerveja através de um, como um contador de água, e eles não conseguiam mais decidir o que eles iriam destinar como caixa 2 ou não. Daí eles decidiram parar com isso e nós também.

Em nota, o Grupo Petrópolis, controlador da Itaipava, informou que foi uma das primeiras empresas do Brasil a apoiar e adotar o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, e desconhece qualquer processo de fraude ou sonegação de impostos na produção de cervejas.

“A empresa manteve relações comerciais com a Odebrecht em função da construção de suas fábricas. E, como mostram as gravações, nunca participou de qualquer iniciativa para produção de dossiês eleitorais”, informou.

O PT não vai se pronunciar sobre o caso. O G1 buscava contato com José de Filippi.

G1

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BRASIL

“Brasil é o maior laboratório a céu aberto do coronavírus”, diz Miguel Nicolelis

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Um dos cientistas brasileiros mais conceituados no mundo, Miguel Nicolelis desabafou em uma série de tuites na madrugada desta quarta-feira (24) e concluiu que atualmente o Brasil é o “maior laboratório a céu aberto onde se pode observar a dinâmica natural do coronavírus sem qualquer medida eficaz de contenção”.

“Neste momento, o Brasil é o maior laboratório a céu aberto onde se pode observar a dinâmica natural do coronavírus sem qualquer medida eficaz de contenção. Todo o mundo vai testemunhar a devastação épica q o SARS-CoV-2 pode causar qndo nada é feito de verdade p/ contê-lo”, afirmou.

 

Com 248.646 mortes pela Covid-19 até esta terça-feira (23) e 1.370 óbitos em 24 horas – o terceiro maior número desde o início da pandemia, o Brasil corre o risco de entrar em colapso sanitário “do Oiapoque ao Chuí”, segundo o cientista.

“Ou os políticos brasileiros aprendem rapidamente a pronunciar “lockdown”, ou todo BR vai entrar em colapso sanitário ao mesmo tempo. Do Oiapoque ao Chuí, governantes estão renunciando às suas responsabilidades de liderar e proteger a população. Não há mais nhm tempo a perder”.

Reportagem de Jamil Chade nesta quarta-feira no portal Uol revela que, segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o único país que não segue o rítmo de queda da pandemia no mundo.

De acordo com o informe epidemiológico da OMS, 2,4 milhões de novos casos foram registrados no mundo nos últimos sete dias, número 11% menor que na semana anterior. Em relação às mortes – 66 mil nos últimos sete dias – a queda foi de 20% em relação ao último levantamento.

BBB
Pelo Twitter, Nicolelis se mostrou espantado com “rojões” comemorando a eliminação de Karol Conká do BBB em meio à pandemia. “No Brasil a pandemia perdeu até pro BBB! Ao vencedor as batatas”, tuitou.

O cientista ainda traçou um paralelo ao massacre de Conká, que teve 99,17% dos votos pela eliminação, e o que se vê nos hospitais.

“No BR se celebra o fracasso alheio, a derrota esmagadora do “inimigo”. Se celebra a execução, mesmo que ela seja virtual ou simulada, e a derrota do time do outro; a “eliminação no paredão ”. No BR se solta rojão qndo alguém desaba e fica estatelado na calçada da vida, sem ar”, afirmou.

Brasil 247

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BRASIL

Campanha Lula Livre lança apelo público ao STF por julgamento da suspeição de Sergio Moro

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Acampanha Lula Livre lança nesta quarta-feira (24) uma plataforma criada para reivindicar que o STF julgue o habeas corpus que pede a anulação dos processos contra o ex-presidente Lula julgados por Sergio Moro.

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça, em conluio com procuradores da Operação Lava Jato, violou a lei e adotou procedimentos abusivos para perseguir e prender o ex-presidente Lula.

Ao entrar no site da campanha, o usuário poderá enviar automaticamente um texto para os endereços de email dos ministros da Corte.

Solicitamos que seja julgado imediatamente o Habeas Corpus (HC) 164493, por meio do qual a defesa do Sr Luiz Inácio Lula da Silva alega a suspeição do ex-juiz sr. Sérgio Moro para atuar nas ações penais abertas contra o ex-presidente da República perante a 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) e pede a nulidade de todos os atos processuais praticados pelo ex-magistrado

As conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, obtidas pela Operação Spoofing, comprovam que Lula foi julgado por um juiz parcial, em um processo que não respeitou os princípios do devido processo legal e da presunção de inocência.

Pedimos que a 2ª Turma do STF julgue o quanto antes o HC, acate o pedido da defesa do Lula e, consequentemente e anule as sentenças proferidas e com participação do sr. Sérgio Moro na instrução processual, assim como dos casos conduzidos pelos procuradores da Operação Lava Jato. O caso é uma afronta à imparcialidade judicial, garantia mínima assegurada a todos os acusados pela Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969 e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

Passados sete anos desde a criação formal da Lava Jato, já existem provas para fazer o juízo de que houve um conluio entre a acusação e sr. Sérgio Moro, com a vontade antecipada de condenar Lula. Consequentemente, impedir o exercício dos seus direitos políticos, sobretudo, poder se candidatar nas eleições de 2018, o que coloca em dúvida a legitimidade dos resultados eleitorais que conduziram os atuais governantes.

O HC de suspeição do ex-juiz Moro deve ser acatado para que seja reconstruída a credibilidade do Poder Judiciário, para que o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, assim como qualquer cidadão brasileiro, tenha um julgamento justo, imparcial e com as devidas garantias do Estado Democrático de Direito.

Fonte: Brasil 247

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