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Padre monta ‘agência de emprego’ para ajudar desempregados

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Além de velas, terços e imagens de santos, os fiéis de uma paróquia de Itaquaquecetuba estão levando também carteiras de trabalho e currículos para serem abençoados. O motivo é que o padre resolveu ir além das suas obrigações de sacerdote e está empenhado em arranjar emprego para quem procura. Além de celebrar uma missa para os desempregados às quintas-feiras, o sacerdote passou a buscar vagas para os devotos.

Se eu pudesse, dava emprego para todo mundo, mas não posso. O que eu posso fazer para ajudar essas pessoas é rezar.”
Padre Alexandre de Miranda

As missas pelos desempregados começaram no final do ano passado. A princípio, seriam apenas durante nove quintas-feiras. Porém, o padre percebeu que muitas pessoas traziam as carteiras de trabalho para serem abençoadas. Por isso, resolveu continuar com as missas.

Em dezembro, eram cerca de 150 pessoas que participavam da celebração. Atualmente, segundo o padre Alexandre de Miranda, mais de 500 pessoas comparecem. “Se eu pudesse, dava emprego para todo mundo, mas não posso. O que eu posso fazer para ajudar essas pessoas é rezar.”

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o ano passado teve o pior saldo de demissões nos últimos 13 anos no Alto Tietê. O saldo entre admissões e demissões ficou negativo em 11.409 vagas.

Os últimos dados divulgados são de janeiro e fevereiro de 2016. Nesse período o saldo de empregos ficou negativo em 1.522 vagas. Em Itaquaquecetuba, o saldo é negativo em 336.

Secretária da paróquia ajuda o padre para encaminhar o currículo dos desempregados (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Secretária da paróquia ajuda o padre para enca-
minhar o currículo dos desempregados
(Foto: Maiara
Barbosa/ G1)

Uma vez por semana, o sacerdote deixa de lado suas obrigações com a igreja e se dedica em buscar emprego para os fiéis. Até mesmo a secretária paroquial foi escalada para buscar vagas. “O trabalho dela é recolher as informações das empresas que estão contratando e também encaminhar essas pessoas. Nós também temos contatos com os comerciantes daqui de perto e, sempre que possível, nós vamos encaminhando as pessoas.”

Junto com os currículos, o padre também encaminha uma carta de recomendação. “Nessa carta eu escrevo que a pessoa tem uma boa índole e segue a doutrina cristã. Já aconteceu de mandar essa carta para pessoas que conheço muito pouco. Por enquanto, nenhum contratante veio me procurar para reclamar dos funcionários que eu ajudei a admitir”, conta o padre aos risos.

Carteiras de trabalho são deixadas perto do altar para serem abençoadas (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Carteiras de trabalho são deixadas perto do altar
para serem abençoadas (Foto: Maiara Barbosa/ G1)

Antes da missa começar, os desempregados deixam suas carteiras de trabalho e currículos em uma mesa perto do altar. Para o padre, o seu trabalho foi além da doutrina religiosa e tornou-se um serviço social.

Ele também acredita que as suas orações estão dando bons resultados. Mas na hora de quantificar quantas pessoas já conseguiu encaminhar para o mercado de trabalho, o padre faz referência a um trecho bíblico para dizer que poucas pessoas voltam para lhe agradecer. “Jesus curou dez leprosos, mas somente um voltou para lhe agradecer. Algumas pessoas mais próximas voltam e nos agradecem e eu fico feliz só de saber da graça alcançada.”

Igreja fica lotada durante missa pelos desempregados (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Igreja fica lotada durante missa pelos desempregados (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Padre abençoa carteiras de trabalho e currículos durante a missa (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Padre abençoa carteiras de trabalho e currículos
durante a missa (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Célia conseguiu um emprego depois de participar das missas (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Célia acredita que a fé ajudou a conseguir um em-
prego (Foto: Maiara Barbosa/ G1)

A intenção do padre é fazer com que os fiéis acompanhem nove missas seguidas. Conceição da Cruz cumpriu a novena e afirma ter alcançado uma graça. “Meu filho estava há muito tempo desempregado e vivia só de ‘bicos’ e outros empregos temporários. De um tempo para cá, até mesmo esses serviços ficaram mais difíceis. Ele estava desesperado, sem vontade de viver. Eu já frequento a igreja aqui há oito anos e resolvi participar da novena. Vinha para a missa mesmo com chuva. Depois da última quinta-feira, no dia seguinte, quando eu cheguei em casa, meu filho disse que estava com a carteira assinada para trabalhar em uma empresa boa.”

A diarista Célia Cristina de Morais se emocionou ao contar a sua história. Ela estava há cinco anos desempregada e conseguiu um emprego de diarista. “Só pode ser coisa divina. Durante esses cinco anos as coisas estavam muito difíceis para pagar aluguel e as contas de casa. Hoje está completando um mês que eu consegui um emprego e voltei aqui para agradecer.”

Durante a sua homilia, o padre diz que a oração e a fé animam a esperança das pessoas e que não se deve perder a fé durante a vida.

Francisco está desempregado há um ano e participa da novena para conseguir um novo emprego (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Francisco está desempregado há um ano e partici-
pa da novena para conseguir um novo emprego
(Foto: Maiara Barbosa/ G1)

Francisco Alves diz que ainda não perdeu a fé nem a esperança e continua na busca por emprego. Há um ano desempregado, ele procura por emprego nas áreas de metalurgia, portaria, vigilância ou obras. “Graças a Deus, eu sei fazer de tudo um pouco e estou mandando currículos para vários lugares. A concorrência é grande, mas espero arranjar logo algum serviço para colocar as contas em dia. Eu tenho três filhos e estamos vivendo só com o salário da minha mulher. Deixamos de lado todos os luxos para viver com o essencial, que é para não faltar comida. Algumas contas estão atrasadas, mas eu não vou desanimar. Tenho fé que logo vou dar a volta por cima e vou voltar aqui nessa igreja para agradecer meu emprego novo.”

Devotos trazem carteiras de trabalho para serem abençoadas durante a missa (Foto: Maiara Barbosa/ G1)Devotos trazem carteiras de trabalho para serem abençoadas durante a missa (Foto: Maiara Barbosa/ G1)

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Expectativa de vida no Brasil sobe para 76,6 anos em 2019

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A expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2019 era de 76,6 anos, segundo dados da Tábua da Mortalidade, divulgados hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa é 0,3 ano superior à de 2018, divulgada na pesquisa do ano passado (76,3 anos).

A Tábua da Mortalidade é divulgada anualmente pelo IBGE e usa como referência dados de 1º de julho do ano anterior.

O dado, que é uma média da expectativa de vida dos dois sexos, foi publicado na edição de hoje (26) do Diário Oficial da União. A divisão do dado, por sexo, será feita às 10h pelo IBGE.


Agência Brasil

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Sem opção: depois de arroz, óleo e carne, preço da batata dispara 33%

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Depois de ver o preço do arroz, do óleo e da carne dispararem, o brasileiro agora faz as contas na hora de comprar batata. O preço do tubérculo disparou 33,37% entre outubro e novembro, segundo a prévia da inflação oficial do país medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, IPCA-15, foi divulgado nesta terça-feira (24).

O pior é que esse reajuste não veio sozinho. Todos aqueles itens que já vinham aumentando continuaram na escalada de preços entre meados do mês passado e deste. O óleo de soja para fazer a batata frita subiu 14,85%, a carne para o bife aumentou 4,89% e o arroz continuou sua escalada, com reajuste de 8,29%.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) já tinha detectado essas variações nos preços dos varejistas do estado de São Paulo. O levantamento divulgado na quinta-feira (19) pela entidade mostrava aumento em outubro de 22,5% na batata, 16,4% no óleo de soja e 5,38% na carne. Segundo a associação, entre os cortes que registraram inflações estão a picanha (11,16%), patinho (8,67%) e contrafilé (7,16%).

Razões climáticas

Segundo análise do Cepea-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o final da safra de inverno da batata e uma quebra de produção na região Sul diminuíram a oferta do produto e influenciaram na alta dos preços.

De acordo com os analistas do centro, a quebra no Sul se deveu ao baixo volume de chuva registrado durante as fases de plantio e desenvolvimento da cultura. A expectativa é que o volume comece a aumentar nas próximas semanas. Se isso se confirmar, o preço deve cair.

Puxado pelo grupo de alimentos e bebidas, o IPCA-15 marcou 0,81% em novembro, o maior número para o mês desde 2015.

Para elaborar o indicador deste mês, os preços foram coletados entre 14 de outubro e 12 de novembro e comparados aos valores pesquisados entre 12 de setembro a 13 de outubro.

Revista Fórum

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