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SAÚDE

Problemas de saúde típicos de adultos estão atingindo cada vez mais crianças

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Há pouco mais de um ano, um exame de sangue apontou que o nível de colesterol do pequeno Thyago estava alterado. Sua mãe, a dona de casa Adriana Conceição, 42 anos, do Distrito Federal, orientada por uma nutricionista, trocou boa parte dos produtos industrializados que o menino consumia por alimentos preparados em casa, com pouco óleo. A tarefa não tem sido fácil. “Ele odeia tanto frutas que engole sem mastigar para não sentir o gosto. Aprendi a fazer iogurte natural, mas preciso colocar no pote da marca que ele costumava consumir, com algumas gotas de corante para ficar rosado como o industrializado, ou ele não toma.” Thyago, aos 5 anos, mede 1,30 metro e pesa 53 quilos – o que configura obesidade. O excesso de peso elevou o nível do colesterol ruim (LDL) e provocou aumento das mamas, bem como apneia do sono. Fazem parte do tratamento mudanças na dieta, além de natação, que ele começou a praticar há dois meses. O caminho ainda é longo, e a mãe de Thyago não está sozinha. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o aumento dos níveis de LDL ou a queda dos de HDL (o colesterol “bom”) afetam, pelo menos, 20% da população entre 2 e 19 anos. Esse é, aliás, o mais frequente dos problemas de saúde outrora típicos de adultos que, cada vez mais, têm sido diagnosticados em crianças.

A última Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 33,5% das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso. Em 1974, esse índice era de 10,9% em meninos e 8,6% em meninas. O aumento também é observado entre os adultos: nesse período, o excesso de peso quase triplicou na população com mais de 20 anos. Hoje considerada uma epidemia, a obesidade traz, além de alteração dos níveis de colesterol, problemas como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e depressão. “Está se criando uma geração que poderá viver menos que seus pais se o quadro não for revertido”, alerta a endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora da Liga de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Uma das grandes culpadas por isso é a vida corrida, que faz com que a praticidade dite as regras na hora de montar o prato dos filhos. “Os erros mais comuns na dieta das crianças são a falta de fibras e o excesso de açúcar e gordura vegetal hidrogenada (gordura trans)”, aponta a nutricionista Mariana Del Bosco, de São Paulo. “Muitos pais comem errado, estão com sobrepeso e reproduzem os maus hábitos à mesa com os filhos”, diz. O endocrinologista pediátrico Thiago Santos Hirose, de Ribeirão Preto (SP), concorda: “A obesidade é um problema facilmente reversível. Na maioria dos casos, basta seguir uma alimentação saudável e praticar atividade física para contorná-lo”. Mas muitos não o fazem.

Vidas sob pressão

A exposição excessiva às telas, muitas vezes apontada como um dos motivos para o aumento do sedentarismo e da alimentação errada, trouxe também casos recorrentes de cefaleias comuns e enxaquecas, irritação e vermelhidão dos olhos e até miopia transitória – dificuldade para enxergar de longe por causa de um turvamento da visão que pode durar horas, meses ou até tornar-se permanente se os hábitos não mudarem. “Muitos pais e pediatras veem a dor de cabeça como algo normal. Pode até ser, desde que surja eventual e isoladamente. Quando é corriqueira ou vem acompanhada de vômitos e outros sintomas, deve-se consultar um neurologista”, avisa a pediatra Sônia Liston, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), 39% das crianças até 6 anos já tiveram dor de cabeça. O índice sobe para 70% entre jovens até 15 anos. Para o neurologista Fernando Kowacs, vice-coordenador do departamento de cefaleia da ABN, aspectos relacionados à vida contemporânea, como stress na escola, ansiedade, noites maldormidas e longas horas em jejum, podem desencadear ou agravar uma crise. “Há duas décadas, achava-se que criança não tinha dor de cabeça crônica”, afirma. De alguns anos para cá, estudos mostraram que cerca de 10% das crianças que procuram o consultório com queixa de dor de cabeça sofrem de enxaqueca.

A ansiedade é outro mal dos nossos tempos que também afeta a saúde dos pequenos, contribuindo decisivamente para o aumento dos casos de depressão. Até a década de 1970, pensava-se que a doença na infância era raríssima ou inexistente. “Presumia-se que toda criança era feliz e sem problemas na vida”, explica Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Estudos mostraram que isso não era verdade. Ao longo dos anos, o diagnóstico do problema e a atenção dedicada a ele aumentaram. “Hoje se sabe que a piora da qualidade de vida, notadamente nos grandes centros urbanos – maiores jornadas de trabalho, mais competitividade, muitas horas em um trânsito caótico, menos tempo para atividades físicas e uma vida automatizada, em frente à TV e às telas de computador e smartphones –, eleva os riscos de transtornos mentais”, afirma a médica. Além disso, os pequenos estão cada vez mais expostos aos problemas e às expectativas dos adultos. Convivem com a violência, a correria, a concorrência e o stress dos pais – também em níveis crescentes. As crianças espelham-se nos adultos e, se o mundo todo à volta está mais ansioso, o mesmo acontece com elas. “E ainda há a cobrança pelo sucesso. É legítimo que os pais se preocupem com seus filhos, que queiram que sejam bons alunos e saibam falar outra língua. Mas exigir que a criança dê conta de tudo e tenha sempre o melhor desempenho coloca muita pressão sobre ela.”

Ivete alerta que, na infância, os sintomas de depressão são diferentes dos apresentados em adultos. Crianças até 6 ou 7 anos reclamam de dores abdominais e de cabeça com frequência, fadiga, tontura, ansiedade e fobias, têm agitação psicomotora ou hiperatividade, irritabilidade, diminuição do apetite (com reflexo no peso, geralmente abaixo do mínimo recomendado para a idade) e alterações do sono. Pode acontecer também de deixarem escapar xixi e cocô mais vezes na roupa, assim como comunicação deficiente, choro frequente e agressividade. Entre os 7 e 12 anos, são mais fortes apatia, isolamento, fadiga, problemas de aprendizagem, choro fácil e, às vezes, até desejo de morrer. Dos 12 em diante, os sintomas se assemelham aos dos adultos: tristeza, desmotivação, perda de apetite, distúrbios do sono e pensamento suicida. O tratamento, até os 8 anos, raramente é feito com medicação. “Usamos mais a terapia, muitas vezes com envolvimento dos pais, porque quase sempre é preciso mudar a dinâmica familiar”, explica Ivete. Se a doença não for tratada, a curto prazo a criança terá prejuízos em sua vida social. A médio e longo prazos, a depressão pode se tornar crônica; e o tratamento, mais difícil. “A doença na infância é um fator de risco forte para que surja na fase adulta”, orienta a médica. “É preciso dar a nossas crianças o que mais falta hoje, que é o exercício da relação humana, contato afetivo. Cada uma vive em seu mundo individual, não reconhece a emoção do outro e não consegue lidar com as próprias emoções, frustrações e ansiedade.” Serenidade, ambiente harmônico em casa, alimentação equilibrada, exercícios físicos: os tempos podem ser outros, mas as melhores escolhas são milenares.

MDMULHER

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SAÚDE

DEZEMBRO LARANJA: MÉDICO DÁ DICAS PARA PREVENIR O CÂNCER DE PELE

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Neste último mês do ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove o Dezembro Laranja, campanha pela prevenção ao Câncer da Pele, que neste ano ocorrerá em formato digital, com participação e engajamento dos médicos dermatologistas. O cirurgião oncológico do Hospital São Camilo Fortaleza, Bruno Lessa, dá três dicas essenciais para prevenir o câncer de pele, o tipo mais recorrente no Brasil, com cerca de 180 mil novos casos por ano.

A primeira delas é: evitar ou diminuir a exposição ao sol nos horários mais perigosos, que são os horários de 10h até 16h. Nesse período, a incidência do sol à radiação ultravioleta é muito intensa, então pode levar a pessoa a ter o câncer de pele.

Em segundo lugar, caso haja a necessidade de se expor ao sol, usar um protetor solar de fator (FPS) 50 ou mais. Se possível, fator 99, que teria um grande grau de proteção para a pele daquela pessoa. Usar chapéu e blusas de proteção UV, criando uma barreira, como aconselha o médico.

Por último, procurar o dermatologista com regularidade, pois ele tem um papel fundamental, que é prevenir que o paciente tenha câncer, identificar lesões pré-neoplásicas e fazer uma dupla, com o cirurgião oncológico, no tratamento.

Quando a doença é descoberta no início, tem mais de 90% de chances de cura. O câncer surge pelo crescimento anormal das células que compõem a pele e possui diferentes formas: basocelular, espinocelular e melanoma, entre outros. Bruno Lessa lembra: “o câncer mais comum é o câncer de pele. O Brasil é um país tropical que tem uma exposição de faixa ultravioleta perigosa. Em todos os países de clima muito quente, temos uma alta incidência de câncer de pele”.

Campanha Dezembro Laranja

Esta é a 7ª edição do movimento, que tem como tema “Câncer de pele é coisa séria”, com o intuito de fortalecer a importância da informação e educação em saúde para a sua prevenção e conscientização desde a infância. O cirurgião oncológico Bruno Lessa afirma que como é um câncer de pele muito ligado ao sol, a cor laranja é escolhida para caracterizar este mês. “Uma outra relação a essa campanha é que dezembro é o mês em que a crianças estão de férias e os pais acabam viajando para lugares mais ensolarados”, diz.

Desde 2014, importantes personalidades vestem a camisa da ação, além de prédios e monumentos que são iluminados com a cor símbolo da campanha, frisando o compromisso com a prevenção, o diagnóstico e tratamentos precoces. As hashtags utilizadas para a divulgação serão: #DezembroLaranja, #CancerdePeleECoisaSeria, #CancerdePele, #CampanhaCancerdePele2020.

Boa Notícia

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SAÚDE

OMS faz apelo para que Brasil “leve a sério” a segunda onda do coronavírus

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A coletiva desta segunda-feira (30) do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, teve como principal tema o Brasil, e mais especificamente o cenário que o país encara com a consolidação de uma segunda onda da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, que o especialista considerou “muito, muito preocupante”.

Por isso, Ghebreyesus aproveitou sua declaração para fazer um apelo às autoridades brasileiras: “gostaria que o Brasil levasse a sério. O número de casos no país se duplicou entre os dias 2 e 26 de novembro, e as mortes também aumentaram significativamente”.

Atualmente, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais casos de covid-19 (infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2), com mais de 6,3 milhões de infectados, número que é superado pela Índia (9,4 milhões) e pelos Estados Unidos (13,5 milhões). Em número de mortes, o Brasil está em segundo lugar no planeta, com 173 mil, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que registra 267 mil óbitos.

Além da postura negacionista do governo de Jair Bolsonaro, que tem se mostrado contrário às medidas de proteção contra o vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras, as contradições do Brasil também incluíram uma política errática sobre a pandemia durante a campanha eleitoral.

Atoridades como o governador de São Paulo, João Dória, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (candidato à reeleição) se negaram a admitir um crescimento no número de casos, apesar de vários hospitais afirmarem estar perto da situação de colapso. Durante um debate com Guilherme Boulos, seu adversário na disputa municipal, Covas chegou a acusá-lo de “fazer terrorismo” ao falar em segunda onda da pandemia.

Curiosamente, nesta mesma segunda-feira, um dia depois do segundo turno das eleições municipais – que, no caso de São Paulo, terminou com a reeleição de Covas –, tanto o governador quanto o prefeito esqueceram do que foi negado por eles durante as últimas semanas, admitiram que os casos de covid-19 aumentaram e decretaram “fase amarela” nos territórios que administram.

Revista Fórum

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