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POLÍTICA

Só dois deputados da PB não mandam conta da refeição para a Câmara

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A Câmara Federal gastou R$ 1,87 milhão com as refeições de deputados que pediram o ressarcimento de despesas com café da manhã, almoço, lanche e jantar, entre fevereiro e dezembro de 2015. Dos mais de 540 parlamentares que passaram pela Casa no primeiro ano da atual legislatura, apenas 123 optaram por não apresentar pedido de reembolso de seus gastos com alimentação. O custo médio anual por deputado, algo em torno de R$ 3,7 mil, não é o que chama a atenção. Somente dois deputados federais paraibanos não pediram o ressarcimento com despesas com alimentação.

A Câmara não é rigorosa na análise da prestação de contas. Limita-se a verificar apenas a regularidade fiscal e contábil dos documentos. Somente os deputados federais paraibanos Damião Feliciano e Luís Couto não pediram o ressarcimento com despesas com alimentação. Pela cota para o exercício da atividade parlamentar (Ceap), instituída em 2009, a partir da fusão do beneficio das passagens aéreas e da verba indenizatória, cada deputado tem direito a receber de R$ 30.788,66 a R$ 45.612,53, conforme o estado de origem, para cobrir despesas atribuídas ao mandato. Gastos com transporte, hospedagem, divulgação da atividade parlamentar, consultoria, combustíveis e alimentação, tudo isso pode ser ressarcido, basta apresentar nota fiscal. No caso das refeições, o parlamentar pode comer em qualquer restaurante, de qualquer cidade, inclusive do exterior.

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BRASIL

Bolsonaro e Guedes derrubam Brasil para 12ª economia do mundo. Com Lula, país foi a sexta

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O Brasil deixou o ranking das 10 maiores economias do mundo e caiu para a 12ª colocação, de acordo com levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, nesta quarta-feira (3). O rebaixamento é motivado pelo tombo do Produto Interno Bruto (PIB), de 4,1% – a maior queda na série histórica do IBGE, iniciada em 1996.

Em 2019, antes mesmo da pandemia, o governo de Jair Bolsonaro já havia deixado o Brasil na 9ª posição. De acordo com o ranking, o Brasil foi superado em 2020 por Canadá, Coreia do Sul e Rússia.

governo Bolsonaro já havia apresentado o chamado “pibinho” no primeiro ano, com resultado revisado de 1,4%. Com uma economia que nunca deslanchou, quadro agravado pela pandemia, veio a retração de 2020. Cujo resultado o ministro Paulo Guedes também errou: ontem, ele declarou em entrevista acreditar que o PIB cairia menos de 4%. Para este ano, ele já prevê alta de 3% a 3,5%.

Diante da falta de uma política econômica eficaz, principalmente durante a crise sanitária, o governo Bolsonaro também tem contribuído para a desvalorização da moeda brasileira. Nesta quarta, a libra, moeda do Reino Unido, chegou aos R$ 8, e o dólar, R$ 5,80.

Retrocesso

A Austin estima uma alta de 3,3% do PIB do Brasil em 2021, abaixo da média de crescimento global esperada de 5,5%. Confirmadas as projeções, o país pode cair para a 14ª posição no ranking das maiores economias do mundo, sendo superado também por Austrália e Espanha.

A queda do Brasil foi criticada por parlamentares. A deputada federal Sâmia Bonfim (Psol-SP) ironizou o ministro da Economia. “Parabéns ao glorioso Paulo Guedes pelos serviços prestados. Duro é saber que há quem dê ‘uma segunda chance’ a Bolsonaro por causa de tamanha competência de seu ministro da economia”, tuitou.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) lembra que a pandemia prejudicou a economia, mas o governo federal aumentou o buraco. Um “recuo do PIB era esperado por causa pandemia, mas o que acontece no Brasil é uma catástrofe: a maior queda da economia em 30 anos é consequência do governo Bolsonaro, que sabota o combate à covid-19. A retomada do Brasil passa por máscara, vacina e garantia de renda para famílias”, criticou.

Em 2002, quando ex-presidente Lula venceu as eleições, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias, medido pelo PIB em dólar. Após os mandatos do PT, o país chegou a 6º, em 2011, desbancando a Grã-Bretanha. Até 2014, já no governo Dilma Rousseff, o Brasil se manteve na 7ª posição.

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POLÍTICA

Haddad no Le Monde: Europa precisa de uma América Latina forte

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Por Fernando Haddad, no Le Monde – No mês de Janeiro, na intervenção que marcou o começo da presidência europeia do Portugal, o premiê Antônio Costa designou a Índia como parceira prioritária da União Europeia. Nesse mesmo mês, Armin Laschet, o novo líder da CDU de Angela Merkel, defendeu uma abertura pragmática em direção à Ásia. Outrora parceiros indispensáveis dos europeus, os países da América Latina parecem ter se tornado atores geopolíticos secundários. Isto apesar das tentativas, quase todas frustradas, de avançar nas negociações pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. 

O deslocamento da nossa região da arena internacional é incontestável. O Brasil está confrontado a um governo que sabota a luta contra a pandemia e isola o país. A ausência de diálogo entre Brasília e Buenos Aires impede o Mercosul de agir para reduzir a instabilidade institucional no Perú, na Bolívia e no Ecuador. Por fim, uma terrível crise política e econômica levou ao declínio da Venezuela, antigamente uma potência regional. 

É importante sublinhar que as divergências ideológicas nunca foram um obstáculo à cooperação inter-regional na América Latina, pelo contrário. Sob a liderança do governo Lula, nós, junto com os nossos parceiros da América Latina e do Caribe, levamos a cabo um programa ambicioso de integração industrial e de multilateralismo. Forte e unida, a América Latina teve um papel importante na resposta internacional à crise financeira de 2008. 

O que torna o momento atual único é o fato do Brasil ser representado por um governo que nega o papel geopolítico da América Latina.

Para fazer face a essa situação, que nós esperamos ser transitória, a Europa precisa restaurar a sua tradição de apoio às lutas sociais na América Latina. Ela não pode seguir mecanicamente Washington na sua política de sanções contra a Venezuela ou na Bolívia, vítima de uma intervenção inconstitucional apoiada pela Organização dos Estados Americanos. Bruxelas precisa reafirmar a sua defesa das soluções políticas regionais. 

No tema do ambiente, a União Europeia precisa abordar a questão da Amazonia como uma luta pela humanidade e não apenas uma questão comercial. O discurso de Emmanuel Macron sobre a Amazônia, que suscitou uma forte reação nacionalista no Brasil, seria muito mais eficiente se a França destacasse os atores privados, públicos e sociais brasileiros que, no terreno, lutam todos os dias contra as políticas devastadoras do governo Bolsonaro. 

 

Esse novo engajamento é do interesse dos europeus. Na sua busca para se tornar uma potência internacional, a União Europeia precisa da América Latina, com a qual ela partilha interesses estratégicos. A busca pelas nossas autonomias respectivas deve estar no coração das nossas relaçõe

Eu estou convencido que os sistemas políticos latino-americanos sairão reforçados deste período. A Argentina acabou de aprovar um imposto sobre as grandes fortunas para responder ao choque econômico da pandemia com igualdade e justiça social. O Chili se prepara para romper o legado da herança de Augusto Pinochet com a instalação de uma nova assembleia constituinte. Depois da Bolívia, o Ecuador está prestes a restaurar a legitimidade do seu sistema político pela via eleitoral. No Brasil, nós estamos desenvolvendo um novo projeto político para virar a página da extrema-direita. É hora dos europeus e latino-americanos se unirem para defender os princípios universalistas e republicanos.

Brasil 247

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